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AmBev começa sua internacionalização para fora do Mercosul porPortugal
(InvestNews, julho, 2001)

A internacionalização da AmBev - para fora do espaço do Mercosul - começa por Portugual, através do guaraná Antarctica.

As afinidades históricas e culturais entre Brasil e Portugal devem facilitar o trabalho da Sumolis - a engarrafadora da Pepsi em Portugal - empresa que vai distribuir o guaraná da AmBev em mais de 70 mil pontos-de-venda.  Para efeito de comparação, no Brasil há um milhão de pontos-de-venda.  As latinhas e as garrafas de um litro e meio estão à venda em Portugal desde o começo de julho, mas só ganham campanha de divulgação no final do mês. As embalagens perderam apenas a co-assinatura “champanhe”, presente no Brasil.

Os portugueses conhecem o sabor exótico do guaraná graças ao rótulo Brahma, que foi comercializado no país. A própria Sumolis tem o refrigerante Moove, que apresenta combinações de guaraná com outras matérias-primas, como frutas cítricas ou café.  A glória do guaraná Antarctica seria começar a exportação pelos EUA, onde já há acordo de distribuição assinado com a PepsiCo, mas a AmBev prefere esperar. “Vamos estrear como franqueados e isso requer um aprendizado”, diz o diretor geral de refrigerantes da AmBev, Juan Vergara. “É um processo complexo e, em Portugal, encontramos um ambiente ideal para darmos partida nessa ação, não só pela proximidade dos países, como pelo fato de a Pepsi ter estratégia de expansão naquele mercado”.

Com vendas globais de US$ 20,4 bilhões, lucro de US$ 3,6 bilhões e presença em 175 países, a Pepsi detém 16,4 % de participação do mercado de refrigerantes português com as marcas Pepsi e sua versão light, Pepsi Max, além da Seven Up. Com o guaraná Antarctica, quer expandir sua presença em Portugal.

A AmBev, com faturamento de R$ 5,2 bilhões e lucro de R$ 470 milhões, detém 17,4% do mercado brasileiro de refrigerantes.  O sabor guaraná já está entre os 15 refrigerantes mais consumidos no mundo. São 800 milhões de litros por ano, a grande maioria bebida no Brasil.

A meta da AmBev, para os próximos cinco anos, é colocar seu guaraná Antarctica entre as dez marcas mais bebidas no mundo. O guaraná Antarctica vai ser grande protagonista das campanhas durante os jogos da Copa do Mundo do ano que vem, embora o contrato de patrocínio da seleção brasileira, firmado por 18 anos, contemple todo o portfólio de produtos da AmBev, que tirou o lugar da Coca-Cola no patrocínio da seleção.  Mas a Coca-Cola ainda reina absoluta no mercado de refrigerantes, com 50% do mercado nacional, de 11 bilhões de litros ao ano, enquanto a AmBev tem 17%. Maior empresa de bebidas brasileira, com mais de 70% do mercado de cervejas, a AmBev tem uma verba de marketing para este ano de R$ 300 milhões.

 

 

Brasil recorre à OMC contra os subsídios agrícolas dos EUA
(Globonews, 2001-08-03)

Para dar força ao movimento de repúdio à atual política dos EUA, a reclamação será levada também às negociações em torno da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) e em todos os foros agrícolas

O Brasil irá mostrar seu descontentamento com os subsídios concedidos pelo governo norte-americano aos agricultores daquele país na OMC (Organização Mundial do Comércio). Para dar força ao movimento de repúdio à atual política dos EUA, a reclamação será levada também às negociações em torno da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) e em todos os foros agrícolas. A informação é do secretário-executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior), Roberto Giannetti da Fonseca.

Os produtos agrícolas dos EUA a que Giannetti se refere são, basicamente, quatro: soja, açúcar, trigo e algodão. Todos, amplamente subsidiados. A lei agrícola dos EUA, o “Fair Act”, destina atualmente cerca de US$ 115 mil de subsídio ao produtor norte-americano. Essa lei termina em setembro de 2002 e a previsão é que ela seja substituída por outra ainda mais agressiva: o produtor passaria a receber US$ 190 mil.

Os produtores de soja, por exemplo, além de protegidos pelo sistema de cobertura do preço mínimo (loan rate), serão cobertos por uma nova fórmula de subsídio, o Counter-Cyclical Payment on Target Price (pagamento contra-cíclico). O sistema contra-ciclíco é para garantir aos sojicultores dos EUA que eles serão remunerados sempre pelo chamado preço-alvo (target price), acima do preço do mercado e acima até do preço de referência.

 

América Latina crescerá 2% menos do que em 2000, segundo estudo da Cepal
(Globonews, 2001-08-03)

Brasil e México reduzirão o ritmo de expansão; Argentina, Peru e Uruguai terão mais dificuldade, com crescimento nulo ou negativo

A economia latino-americana deve crescer este ano metade da expansão registrada no ano passado, por causa das condições externas e internas que têm sido menos favoráveis do que as previstas. Essa é a conclusão de um estudo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), divulgado nesta quinta-feira. De acordo com o levantamento, a América Latina deve expandir-se este ano apenas 2%, abaixo dos 4% registrados no ano passado. “O cenário pode ser ainda mais adverso se não houver uma clara reversão na tendência mundial”, afirma a Cepal.

De acordo com o organismo das Nações Unidas, a forte desaceleração no crescimento econômico latino-americano virá acompanhada de um aumento do déficit fiscal, que deve ficar em 3% do PIB da região, e de uma queda na inflação, para uma taxa média de 7,5%. O desemprego deve aproximar-se de 8,5%, enquanto o déficit em conta corrente deve chegar a 3% do PIB regional, ou seja, cerca de US$ 58 bilhões.

Os economistas da Cepal dizem que, em 2001, a região sentirá os efeitos da desaceleração do crescimento mundial, encabeçada pela menor expansão das economias norte-americana, européia e de países asiáticos em desenvolvimento e também pelas dificuldades do Japão. “Somam-se a isso fatores internos, principalmente o enfraquecimento da demanda interna e do crédito em vários países, os problemas de abastecimento de energia no Brasil e as dificuldades políticas em algumas nações.”

Além disso, afirma a Cepal no estudo, a região continua enfrentando problemas relacionados à disponibilidade instável e ao alto custo do financiamento externo. “Ao todo, os ingressos de capital na América Latina e no Caribe devem chegar a US$ 60 bilhões este ano, cifra similar à média observada entre 1998 e 2000.”

A comissão ressalta que as duas maiores economias da região, Brasil e México, sofreram forte redução no seu ritmo de crescimento. O estudo estima que a economia brasileira deve crescer menos de 3%, e a mexicana, cerca de 2,5%. No entanto, as maiores dificuldades serão enfrentadas pela Argentina, Peru e Uruguai, que devem ter crescimento nulo ou até negativo.

Para a Cepal, a Argentina deve mostrar este ano uma queda de 1% no PIB, enquanto a economia equatoriana deve registrar a taxa mais alta de incremento do PIB (5%), embora sem conseguir estabelecer os níveis de 1998, superiores a essa taxa

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