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Financial Times diz que Brasil pode ser
contaminado pela crise da Argentina
(Redação, agosto de 2001)
O jornal britânico Financial Times
acredita que o Brasil pode ser contaminado pela crise da Argentina e
afirma que a decisão de aumentar os juros não vai ajudar o país a
escapar do contágio e pode ainda resultar em menos crescimento econômico,
além de elevar o risco de instabilidade política antes das eleições. O
diário considera, porém, exagerados os temores de que o líder do PT,
Luiz Inácio Lula da Silva, ganhe as eleições de 2002 e elogia as
administrações do partido. O alerta fica por conta da possibilidade de
ascensão de líderes populistas no país. O FT dedicou três páginas ao
Brasil, com reportagens sobre a crise energética, os problemas da
economia e o crescimento das chances da oposição nas eleições do próximo
ano.
Segundo o jornal, não correspondem à
realidade as afirmações de que Lula "administraria um governo
irresponsável sob o aspecto fiscal" e de que se oporia ao
investimento internacional. "Os prefeitos do PT provaram ser
administradores eficientes em algumas cidades e Estados brasileiros, e,
nos últimos anos, o partido moderou o seu tom radical", afirmou o
texto.
Apesar de não ver riscos no líder
petista, o jornal alerta para o perigo do populismo ganhar terreno no país.
"Com o desaquecimento da economia e com o crescimento do custo social
do ajuste, os políticos brasileiros poderão ser tentados a adotar soluções
politicamente mais fáceis para os consideráveis problemas de
desenvolvimento do país do que aquelas implementadas por (Fernando
Henrique) Cardoso. O perigo de uma guinada para o populismo poderia
colocar em risco a sólida estrutura macroeconômica tão arduamente
implementada nos últimos anos."
O diário, em um editorial intitulado
"Risco brasileiro", mostrou, nesta sexta-feira, uma visão
pessimista em relação às perspectivas de o Brasil superar a atual
crise. Para ele, se a situação da Argentina tornar os investidores mais
avessos aos riscos dos mercados emergentes em geral, "o Brasil será
uma vítima". Segundo o FT, o déficit de conta corrente e as
necessidades de financiamento externo estão crescendo num momento no qual
os fortes fluxos de investimentos diretos para o país estão escasseando.
O jornal disse ainda que a desaceleração
da economia mundial e a crise energética já deprimiram as expectativas
de crescimento brasileiro para 2002. Além disso, os escândalos de corrupção
enfraqueceram a aliança partidária que vem apoiando o presidente
Fernando Henrique Cardoso, e as pesquisas recentes de opinião pública vêm
mostrando que os candidatos de oposição estão ganhando terreno.
Nesse contexto, avalia o FT, a decisão
do Banco Central de elevar os juros pela quinta vez neste ano. "Ainda
que a adoção de uma política monetária mais rígida ajude a
estabilizar as perspectivas de curto prazo, é provável, igualmente, que
ela reduza o crescimento econômico, o que geraria o perigo adicional de
instabilidade política antes das eleições presidenciais de 2002."
Segundo o jornal, o aspecto positivo da
medida é a possibilidade de que taxas de juros mais elevadas ajudem a
conter as pressões inflacionárias causadas pela depreciação do Real.
É positivo também que o governo brasileiro anuncie medidas de maior
austeridade fiscal - com cortes de despesas, visando ao aumento do superávit
fiscal primário para compensar o impacto dos juros nos serviços das dívidas
- e sinalize sua disposição de definir um novo acordo com o Fundo Monetário
Internacional. Apesar disso, diz o Financial Times, o país permanece
extremamente vulnerável
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