Brasil, o aluno modelo do FMI
(Financial Times, 2001-08-13)

"Nos últimos 18 meses, o Brasil foi visto como o aluno modelo do FMI. Depois de ter sido muito criticado pelos empréstimos à Ásia, em 1997, e à Rússia, em 1998, o Fundo parecia ter acertado com a ajuda ao Brasil em 1999", analisa o Financial Times.

Então por que o Brasil foi forçado a voltar ao FMI tão cedo em busca de mais ajuda? A resposta curta é que o Brasil foi vítima de uma série de eventos imprevisíveis e negativos que mudaram completamente a perspectiva a curto prazo para sua economia.

'No início do ano, seria difícil imaginar que um país pudesse enfrentar uma série de choques tão adversos como esse', diz um economista de São Paulo.

A desaceleração da economia global, a crise de energia e um governo enfraquecido, que deixa em aberto o resultado da eleição presidencial de 2002, tudo se combinou para reduzir o crescimento deste ano.

E como pano de fundo, a perspectiva de uma moratória ou desvalorização cambial na Argentina tem minado a confiança -um processo que se acelerou drasticamente nas últimas semanas.

No lado fiscal, o Brasil cumpriu todas as duras metas acertadas com o FMI nos últimos três anos, na primeira vez que consegue isso na série de acordod que assinou com o fundo, desde a década de 50. Mas o forte impulso às exportações, necessário para consolidar a estabilidade, não aconteceu.

Os analistas esperavam que hoje o Brasil registrasse um superávit comercial de vários bilhões de dólares, mas até agora este ano a balança está praticamente neutra. O investimento direto externo cobriu a diferença durante um tempo mas, com o cenário internacional adverso, o fluxo de capital diminuiu rapidamente.

A oposição esquerdista, que está indo bem nas pesquisas, argumenta que o Brasil precisa de ajuda mais agressiva a seus exportadores como créditos e subsídios e acusa o governo de ideologicamente cego em sua oposição a uma política industrial.

Para alguns membros do governo, o desempenho da exportação em parte reflete a cultura do empresariado brasileiro, ainda voltado para o abastecimento do enorme mercado interno.

De que modo o Brasil responderá a um agravamento da crise na Argentina ainda não está claro. A esperança do governo é de que o novo acordo com o FMI sirva de barreira de fogo permitindo que a moeda se fortaleça e que os juros caiam.

Se isso ocorrer, o crescimento no ano que vem pode ser razoável, especialmente com os indícios de que a crise de energia não será tão séria como se pensou inicialmente.

Mas se a dívida, atrelada ao dólar ou aos juros, crescer muito em relação ao PIB, isso levará inevitavelmente a uma reestruturação dessa dívida, o que seria um assunto explosivo em um ano eleitoral".

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Nesta edição, veja também:
» Brasil, o aluno modelo do FMI
» No Brasil os consumidores pagarão mais pela eletricidade
» O que  afugentam os investimentos estrangeiros no Brasil?
» A fragilidade do real
» Aperto fiscal pode levar o Brasil à mesma situação da Argentina
» Empresas de energia não têm condições de investir, diz FGV
»
A receita dos países desenvolvidos
» Entrevista com o economista Luiz Carlos Bresser
» O crepúsculo da economia sul-americana
» Brasil busca ajuda do FMI e amplia dependência externa
» Um presente de grego: Pedro Malan anuncia meta de inflação de 3,25% para seu sucessor em 2003

 

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