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Indicadores apontam que
a economia americana está perto de uma recessão
Pesquisa do Fed mostra que desaceleração da indústria já afetou os
setores de serviços, varejo e finanças; vendas no varejo e estoques caíram
em junho
A crise no setor industrial está
contagiando outros setores da economia norte-americana, inclusive o
consumo no varejo, e está deixando o país cada vez mais perto de uma
recessão. Essa é a conclusão principal do Livro Bege, o estudo sobre o
estado da economia real realizado pelos 12 Feds "regionais" do
país, e consolidada pelo Federal Reserve propriamente dito.
A pesquisa, feita nas seis semanas anteriores a 30 de julho, mostra o
setor manufatureiro profundamente atingido pela crise e tendo já demitido
800 mil pessoas nos últimos 13 meses. "Uma continuada desaceleração
na indústria espalhou-se para outras atividades, com muitas regiões
pesquisadas indicando declínio na demanda por escritórios e serviços de
transporte", diz o relatório, cujo apelido vem da cor de sua capa.
Uma espécie de indicador antecedente importante notado pela pesquisa é
que os pedidos à indústria relacionados tanto à volta às aulas, em
setembro, quanto ao Natal, estão menores do que no ano passado.
Segundo o relatório, a queda de produção foi mais evidente nos setores
de vestuário, computadores, semicondutores e equipamentos de telecomunicações.
O varejo, apontado como principal pilar de sustentação da economia nesse
período de crise, evidentemente sentiu o impacto da desaceleração nas
vendas e do número cada vez mais elevado de demissões. "A queda nas
vendas atingiu todos os produtos e tipos de comércio. As grandes redes de
lojas de descontos tiveram uma performance melhor, ainda que todos os
tipos de varejistas tenham apostado em promoções para estimular as
vendas".
No setor de serviços, a desaceleração persistiu durante os meses de
junho e julho em quase todas as regiões pesquisadas. Atividades como
propaganda, computação e serviços de informática, emprego temporário,
transportes, contabilidade, seguros e advocacia registraram diminuição
nas atividades. O Fed de Dallas registrou uma alta anormal na demanda por
serviços jurídicos. Mas só os relacionados a falências.
A crise do setor de serviços atingiu também o turismo. Companhias aéreas
e hotelaria notaram queda nos negócios, especialmente nas viagens de negócios,
já que as empresas lutam para diminuir seus custos.
Nove das doze regiões que fazem a pesquisa apontaram aumento no número
de imóveis comerciais vagos nas áreas metropolitanas durante o segundo
trimestre, com sinais de que a crise aumentaria em julho.
No setor financeiro, o clima geral é de cautela com novos empréstimos. A
busca por novos empréstimos caiu, assim como a qualidade do crédito,
especialmente nos setores ligados à indústria e agricultura. Os bancos
apertaram as exigências para novos empréstimos.
Ao contrário dos escritórios, o setor de construção civil residencial
foi praticamente o único apontado pela pesquisa com um desempenho
positivo. Na verdade, o mercado se manteve estável, mas, diante da queda
generalizada, isso se torna um ganho. Os juros baixos impulsionaram a
venda de imóveis novos e usados e a demanda por serviços financeiros
relacionados, como hipotecas.
As vendas no atacado tiveram forte queda em junho nos EUA. A diminuição
foi de 0,9%, sobre o mês anterior, após declínio de 0,5% em maio sobre
abril. O total do mês foi de US$ 226,83 bilhões.
Ao mesmo tempo, os estoques tiveram queda de 0,2% em junho, sobre o mês
anterior. Embora o desempenho de maio tenha sido revisado de uma queda de
0,2% para alta de 0,3%. Os estoques que mais caíram foram de produtos de
informática (2,9%) e mobiliário (2,5%).
Em relação a junho de 2000, os estoques estão 1,2% maiores, enquanto as
vendas caíram 2,4%. O descompasso entre vendas e estoques levou a relação
entre os dois indicadores à taxa mais alta em dois anos. Em média, o
estoque das empresas levaria 1,33 mês para ser totalmente consumido.
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Nesta edição, veja também:
» Brasil,
o aluno modelo do FMI
» No
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externa
» Um presente de grego:
Pedro Malan anuncia meta de inflação de 3,25% para seu sucessor em 2003
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