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O que afugentam os
investimentos estrangeiros no Brasil? Segundo a PriceWaterhouse, anualmente o país deixa de atrair entre US$ 30 e US$ 40 bilhões. O Brasil só perdeu para a China a posição de maior pólo mundial de atração de investimentos diretos estrangeiros no ano passado, com cerca de US$ 33 bilhões. Neste primeiro semestre, o valor chegou a US$ 10 bilhões, e o Governo estima atingir US$ 20 bilhões em dezembro. A desaceleração da economia mundial tem contribuído para essa redução, o que poderia ser menor não fossem tantos os problemas que o país tem de resolver para atrair esses capitais. Segundo estudo do Banco Mundial (Bird) encomendado pelo Itamaraty para apoiar o programa Invest Brasil, além de numerosos, os problemas são antigos. Entre as principais restrições, está o
excesso de carga tributária. São 52 impostos, taxas, direitos,
empréstimos compulsórios, retenções e outros encargos cobrados pelo
Governo, que planeja ampliar o esse cardápio. O índice supera a média de 4,1% da América Latina e coloca o Brasil entre os países que mais desperdiçam tempo com essa tarefa em todo o mundo, atrás apenas do Haiti. Além de consumir tempo, essa rede de dificuldades historicamente foi responsável pela sobrevida de um mercado especializado em criar facilidades, o qual alimenta outro sério problema no país: a corrupção. São deficiências que corroem a competitividade dos produtos brasileiros e inibem investimentos. A elas se somam outros problemas quase crônicos, como as insuficiências observadas no sistema de ensino e as carências que o país enfrenta no terreno da infra-estrutura - principalmente nos portos. Os índices de violência verificados no país também são lembrados como fatores que afugentam o capital estrangeiro. Outro aspecto é que 40% das multinacionais instaladas no país empregam por aqui tecnologias de produção ultrapassados nas respectivas matrizes. O "gap" tecnológico é justificado pelas empresas em função das pendências sobre patentes que têm confrontado seus países de origem e o Brasil. Seja como for, o hiato tecnológico deve ser computado como um entrave extra ao ganho de competitividade brasileira. O Bird cita um estudo feito pela Price
Waterhouse para quantificar o volume de investimentos que deixam de cruzar
as fronteiras por conta do conjunto de deficiências listadas em seu
relatório. O custo gira em torno de US$ 30 bilhões e US$ 40 bilhões - o
equivalente a quase o dobro do que o Governo espera receber este ano. Os textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores ou fontes e podem não expressar a opinião da Economiabr.net
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