Aperto fiscal pode levar o Brasil à mesma situação da Argentina
(Globo On Line, 2001-08-09)

Analistas da Bear Stearns acreditam que o compromisso estabelecido com o FMI de elevar o superávit pode dificultar o crescimento econômico brasileiro

A equipe do Bear Stearns para a América Latina acredita que o programa de austeridade que deverá ser adotado pelo governo brasileiro para elevar o superávit primário vai dificultar o crescimento econômico do Brasil. A instituição alerta para a possibilidade de o país enfrentar os mesmos obstáculos com que se deparou a Argentina, que não cresce há mais de três anos.

Para instituição, o pacote de US$ 15 bilhões do FMI não vai evitar a recessão no Brasil se as condições negociadas com o Fundo para obter o empréstimos forem prejudiciais à economia doméstica.

Em troca do empréstimo, o Brasil se comprometeu a alcançar um superávit primário de 3,35% do PIB neste ano e de 3,5% em 2002. A equipe econômica, no entanto, garantiu que isso não será feito por meio do aumento de impostos. "Cumpriremos a meta pela via da despesa (corte) e não pelo aumento da carga tributária", afirmou o ministro do Planejamento, Martus Tavares, ao explicar as bases do novo acordo.


Empresas de energia não têm condições de investir, diz FGV

Fundação Getúlio Vargas analisa balanços das companhias e conclui que nem as estatais nem as já privatizadas poderão ampliar a capacidade de geração do país; Parente nega pressões para aumentar tarifas

Os resultados dos balanços do ano passado das empresas do setor elétrico mostram que geradoras e distribuidoras não têm condições de realizar pesados investimentos na ampliação da capacidade energética do país. Isso vale tanto para as companhias ainda estatais como para as já privatizadas. A opinião é do economista Salomão Quadros, chefe do Centro de Análises Estatísticas e Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

"Há empresas com grandes lucros, como Furnas, e outras com grandes prejuízos, como a Eletronorte. Mas, olhando o conjunto das empresas, tranqüilamente é possível dizer que o setor mostra pouca capacidade de investir", afirmou Quadros. O principal dado que levou a FGV à conclusão é a baixíssima rentabilidade do setor, ou seja, a taxa de retorno do negócio.

Apesar de ter saído de um resultado fortemente negativo (-2,81% em 1999), o setor apresentou rentabilidade de apenas 0,5% em 2000, tomando por base um lucro líquido consolidado de apenas R$ 134 milhões. Ou seja, na média, é baixa a capacidade de investimento com recursos próprios.

Reajuste de tarifas

Apesar da baixa rentabilidade, o coordenador da Comissão de Gestão da Crise Energética, ministro Pedro Parente, negou que as concessionárias de energia elétrica estejam pressionando o governo por reajuste de tarifa. Segundo Parente, "não há pressões. Há discussões muito maiores que envolvem pontos que não foram definidos no processo de privatização do setor".



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