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Acordo com FMI não muda classificação
de risco da Argentina Apesar do novo empréstimo de US$ 8 bilhões à Argentina anunciado na terça-feira pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), três das mais importantes agências de classificação de risco do mundo, Moody's, Fitch e Standard & Poor's, anunciaram que não vão mudar o rating da dívida do país, rebaixado recentemente por todas elas. A desconfiança das agências não influenciou o mercado. A Bolsa de Buenos Aires fechou em alta de 8,2%. O risco do país caiu 11,9%, fechando em 14,5% nesta quarta-feira, enquanto os títulos da dívida tiveram forte valorização. Subiram, em média, 9,3%. O Global 2008 subiu 12,2%; o FRB, 13%. A Moody's considerou que o desembolso não muda os problemas básicos enfrentados pela economia argentina. De acordo com Vicente Truglia, diretor da agência, ainda não está claro que a Argentina voltará a obter um crescimento sustentável para atrair novos investimentos. Atualmente, a nota da Moody's para os bônus soberanos da Argentina em moeda estrangeira é Caa1. Embora considere o acordo positivo, a Fitch acredita que a situação não vai melhorar repentinamente e que, pelo menos no médio prazo, a volatilidade vai continuar. De acordo com o diretor sênior para finanças públicas da agência, Richard Fox, a questão-chave continua sendo a seguinte: "será que os políticos argentinos vão conseguir implementar um programa de corte de gastos tão ambicioso e duro ainda mais às vésperas das eleições legislativas de outubro?". Para Fox, mesmo que o governo seja bem sucedido, ajuste terá efeitos recessivos para um país que precisa retomar o crescimento. "Podemos ver no mercado que as conversações sobre um programa do FMI estabilizaram as coisas, mas, no momento, estamos com uma nota B- e com perspectiva negativa para os papéis argentinos. Não creio que só o anúncio de um pacote de ajuda do FMI possa mudar isso", disse Fox. Já a Standard & Poor's emitiu um comunicado no qual informa que continuará seguindo de perto as retiradas do sistema bancário. Segundo a agência, caso a fuga de depósitos continue em ritmo acelerado, o rating do país, hoje em B-, poderá ser rebaixado. O resultado das eleições legislativas de outubro, no entanto, pode mudar esse quadro. De acordo com a S&P, caso o governo garanta, no pleito, apoio para suas medidas de ajuste, a nota pode até ser elevada. Reação interna A reação dos analistas argentinos ao pacote de ajuda foi bem mais otimista. Para o economista Martín Redrado, da Fundación Capital, a Argentina tem uma nova oportunidade. "Devemos aproveitá-la." Segundo ele, esta é, provavelmente, a última oportunidade antes que venham opções mais traumáticas. Para Redrado, a liberação de novos fundos vai levar tranqüilidade aos poupadores argentinos e proteger a conversibilidade. Mario Vicens, secretário de Fazenda na gestão de José Luis Machinea, declarou que o acordo se sustenta em "um tripé" baseado na estabilidade dos depósitos bancários, na eliminação do risco de default e no cumprimento da lei de déficit zero. "Cumprir este tripé permitirá a redução das taxas de juros e a retomada do crescimento argentino", assegurou Vicens. Manuel Solanet, ex-secretário para a Reforma Administrativa, disse que o acordo alcançado com o FMI "leva novamente a esperança" e que vai servir para "tranqüilizar os poupadores".
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