México sente os efeitos da desaceleração norte-americana
(The New York Times, 2001-08-26)

México tem sido arrastado para a recessão por causa da claudicante economia americana, prejudicando a vida de milhões de mexicanos e as aspirações políticas do presidente Vicente Fox.

Ao tomar posse, em 1.º de dezembro, Fox prometeu criar 1,4 milhão de empregos. Foi um sonho. Ao contrário, milhares de pessoas perderam o emprego nesse período – meio milhão, de acordo com certas estimativas. O impacto econômico é difícil de calcular, mas num país em que aproximadamente metade da população é pobre – qualquer que seja o método de avaliação–, é provável que alguns milhões tenham hoje menos dinheiro e talvez menos comida do que há um ano. Ao contrário dos Estados Unidos e outros países, o México não oferece benefícios aos desempregados.

No ano passado, Fox disse que poderia sustentar o crescimento econômico, que atingiu o pico de 7,7% no início de 2000. Foi outro sonho. Com sorte, o PIB poderá crescer de 1,8% a 2,5% este ano.

Analistas desvinculados do governo dizem que o país, que não mede a expansão do PIN trimestralmente, está em recessão, considerando-se o padrão americano de classificar como recessão dois trimestres consecutivos sem crescimento.

Desde que o Acordo Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) foi criado, em 1994, os Estados Unidos absorveram de 80% a 90% das exportações mexicanas. Portanto, uma desaceleração na economia americana provoca fechamentos de empresas e demissões no México, na medida em que os empresários fazem dispensas para reduzir custos.

“A correlação entre a perda de empregos no setor manufatureiro mexicano e a desaceleração da economia americana é aproximadamente de um por um”, diz Alfredo Thorne, economista-chefe para a América Latina do JP Morgan Chase na Cidade do México.


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