|
 |
Próximos de um
recessão global
(Folha de S. Paulo, 2001-08-28)
A produção mundial de bens e serviços pode ter contraído no segundo
trimestre do ano pela primeira vez nas últimas duas décadas. A análise
é da revista inglesa "The Economist" que chegou ontem às
bancas.
Considerada uma das publicações mais influentes do mundo, a revista
semanal tem como reportagem principal de sua última edição o
desaquecimento da economia global. A chamada na capa diz: "2001
coisas para fazer em uma recessão". E sugere a primeira delas:
"Pegue um pára-quedas".
De acordo com o semanário, a crise atual é a primeira em que existe uma
sincronia em todo o mundo desde a Grande Depressão de 1930. Entre os
maiores países do mundo, apenas China e Índia parecem não ter sofrido
contágio.
A produção industrial no primeiro semestre do ano encolheu 6% em relação
ao mesmo período do ano anterior, revelando uma acentuada queda nos
investimentos, aponta a "Economist". Para a publicação, a
queda global seria o lado negativo do processo de globalização, porque
nunca antes os países mantiveram relações comerciais tão estreitas.
A maior economia do mundo, os EUA, cresceu apenas 0,7% no segundo
trimestre, segundo números preliminares. Mas a revista acredita que a
taxa deva ser revisada para baixo. Com a freada dos EUA, todo o mundo
sente o tranco.
Os norte-americanos são os maiores compradores do planeta, consumindo 6%
de tudo que é produzido no resto do mundo. Há dez anos, diz a revista,
os EUA importavam proporcionalmente a metade disso -ou 3% do PIB (Produto
Interno Bruto) mundial.
Os países asiáticos cujas economias são pautadas pelas exportações
foram os mais contaminados. Cingapura e Taiwan viram o PIB recuar nos dois
primeiros trimestres, caracterizando uma recessão. Um dos motivos seria a
queda no consumo de produtos de tecnologia da informação, como
equipamentos de telecomunicação.
Para a "Economist", ainda é incerta a data da recuperação.
Os textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores ou fontes e podem não expressar a opinião da Economiabr.net
|
 |
|