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África do Sul debate
lei de monitoramento
(Wired, 2001-08-28)
A África do Sul está prestes a aprovar
uma lei de grampos de comunicação que impede os cidadãos privados de
escutarem transmissões de comunicação mas dá amplos poderes de vigilância
aos policiais.
Mês passado, a presidência silenciosamente concordou com a proposta da
Lei de Interceptação e Monitoramento, que obriga os provedores de
Internet e companhias telefônicas a criar "centros de
monitoramento" para a polícia, e a encaminhou ao Parlamento.
Essa legislação, que provocou o descontentamento dos usuários da
Internet no país, também restringe os produtos de encriptação
destinados a proteger a privacidade dos usuários, proíbe o acesso anônimo
à rede e permite que as forças policiais façam vigilância com pouquíssima
supervisão.
A Associação dos Provedores de Serviços de Internet da África do Sul,
que representa 50 empresas, disse em uma carta ao governo que a medida
"deveria ser revista para garantir proteções suficientes" à
privacidade. O governo solicitou que comentários fossem enviados durante
um período de três semanas que terminou nesta segunda-feira.
"Cada cidadão sul-africano que tiver uma opinião formada a respeito
terá a chance de levá-la ao governo", acrescenta Ngwepe.
"Antes da lei ser votada, os interesses do setor de comunicações,
das ONGs e outras organizações serão ouvidos. Esta lei estará sujeita
a debates e exames rigorosos antes de ser aprovada".
Um grupo de defesa dos direitos humanos chamado Privacy International
escreveu uma carta detalhada ao parlamento, recomendando que a lei não
fosse aprovada até que fosse rescrita, levando em consideração as
preocupações relacionadas à privacidade e transparência.
Alguns observadores disseram que a legislação parece ser um passo atrás
para um país que há pouco tempo adotou o progresso como objetivo. Adam
Powell, do Freedom Forum, uma ONG americana dedicada à liberdade de
expressão que tem um escritório na África do Sul, disse que "um
grande esforço tem sido feito para informatizar o país como uma forma de
passar por cima do século 20. Em um certo momento, houve um sério debate
sobre eliminar os livros didáticos e ensinar tudo através de texto eletrônico
nas escolas. Como o governo atual vai fazer para conciliar esta nova
proposta com suas políticas anteriores para a Internet?"
Mesmo dizendo que ninguém pode
"interceptar uma comunicação" intencionalmente, a lei contém
brechas que oferecem grandes poderes de vigilância às forças policiais.
De acordo com uma reportagem da BBC, pro exemplo, em muitos casos apenas
um juiz pode aprovar a utilização de um grampo telefônico. No entanto,
em outras situações, um oficial da polícia ou do exército também
podem permiti-lo. Nenhuma ordem judicial seria necessária para que se
obtivesse uma lista das ligações telefônicas feitas por alguém, ou uma
relação dos websites que essa pessoa visitou, ou ainda o nome dos
destinatários de seus e-mails.
O projeto ainda diz que nenhum provedor de Internet pode "oferecer
qualquer serviço de telecomunicação que não possa ser monitorado"
e diz que o provedor é responsável por "decodificar qualquer
informação encriptada por qualquer cliente, caso o sistema de encriptação
tenha sido fornecido pela empresa".
A Associação dos Provedores de Serviços de Internet teme que as restrições
acabem por limitar o uso de produtos de encriptação. O Parlamento
sul-africano deve votar a proposta antes de entrar em recesso, dia 17 de
dezembro. As audiências públicas estão agendadas para o final do mês.
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