Desemprego: o primeiro sintoma da crise econômica
(Economiabr.net, com dados da Folha de S. Paulo, 2001-08-28)

Os trabalhadores dos EUA foram os primeiros a sentir na pele o que significa, no mundo real, a tal desaceleração da economia. Com o consumo em baixa, as empresas reduzem investimentos e produzem menos, deixando parte da mão-de-obra ociosa.

Nos último ano, 1 milhão de norte-americanos foram demitidos. A taxa de desemprego saltou de 4%, em julho de 2000, para 4,5%, fazendo o número de pessoas sem trabalho pular de 5,6 milhões para quase 6,6 milhões.

Só na primeira metade do ano, as empresas americanas anunciaram 770 mil dispensas, segundo a consultoria Challenger, Gray & Christmas. Na década de 90, em nenhum ano tal número foi registrado (durante os 12 meses, e não apenas em um semestre).

Para ter uma idéia da intensidade da freada, no segundo trimestre de 2000, ainda sob o efeito da expansão das empresas de tecnologia, a produção de bens e serviços (PIB) saltou 5,7%. No mesmo período deste ano, o crescimento foi de apenas 0,7% (o menor em oito anos).

Como os EUA importam o equivalente a 6% do que todo o resto do mundo produz, a pisada no freio dos americanos contagiou outros países, principalmente os exportadores. Em julho, a taxa de desemprego do Japão atingiu 5% pela primeira vez desde 1953, quando a estatística passou a ser apurada.

Europa

A Europa, que historicamente exibe níveis elevados de trabalhadores sem emprego, até há pouco não sofrera com o efeito dominó, mas nas últimas semanas as dispensas ganharam fôlego. A indústria da zona do euro entrou em recessão, e a taxa de desemprego, hoje em 8,3%, deverá crescer. A France Telecom e a Sonera (maior telefônica da Finlândia) acabam de anunciar cortes

A gigante de equipamentos de telecomunicação norte-americana Lucent, enfrentando a crise no setor, anunciou que vai demitir pelo menos 410 funcionários da sua unidade francesa, que tem um total de 1,3 mil empregados.

Além disso, cerca de 140 funcionários da canadense SR Telecom Inc - que concordou em comprar a unidade de WAS (Wireless Access Solutions) de atividades sem fio da Lucent na França - poderão ser dispensados. O acordo ainda não foi colocado em prática.

Japão

A gigante japonesa dos eletrônicos Toshiba vai cortar 20 mil empregos de sua força de trabalho de 190 mil funcionários devido à queda na demanda mundial do setor de tecnologia da informação, informa a edição de hoje do diário "Asahi Simbun".

A Toshiba, que sofre com a queda nas vendas de semicondutores, vai anunciar o plano este mês, ao anunciar as revisões para baixo de suas expectativas de ganhos no ano fiscal, que encerra em março de 2002, informa o jornal japonês.

Outra gigante japonesa do mercado de eletrônica, a Hitachi, também está para anunciar um plano drástico de reestruturação que inclui uma série de demissões, revela o "Asahi Shimbun".

Os países asiáticos cujas economias são pautadas pelas exportações também foram os mais contaminados pela recessão mundial. Cingapura e Taiwan viram o PIB recuar nos dois primeiros trimestres, uUm dos motivos seria a queda no consumo de produtos de tecnologia da informação, como equipamentos de telecomunicação.

América do Sul

Os subsídios concedidos à agricultura pelos países desenvolvidos são os principais responsáveis por boa parte do desemprego nos países do Mercosul. Esta foi a conclusão dos ministros do Trabalho do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai reunidos ontem em encontro na Confederação Nacional do Comércio (CNC), no Rio.

Estes países enfrentam altas taxas de desemprego. Na Argentina, o índice é de 16,4%, no Uruguai e no Paraguai, 16%. No Chile, que negocia ingresso no bloco econômico, a taxa é de 9,7%, No Brasil, segundo o IBGE, em julho a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitas foi de 6,4%.

Nesta edição:

»  Acordo com FMI não muda classificação de risco da Argentina
»  Taxa de desemprego menor é causada por desistência, diz IBGE
»  Governo dos EUA e sua relação com o Mercosul
»  Capital tem Pátria
»  Próximos de um  recessão global
»  FHC adia criação de Agência de Defesa do Consumidor
»  Endividamento externo de empresas brasileiras dobrou nos últimos seis anos

Mundo

»  Enquanto os EUA não se recuperarem, a Europa vai continuar sem crescimento
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»  EUA devem mais de US$ 2 bilhões para ONU

Digial

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Maioria das pequenas empresas dos EUA está online
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Trabalho

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