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A crise será maior, mais severa e prolongada, dizem Greenspan e o FMI Combinando-se o que diz o presidente do Fed, Alan Greenspan, com o que diz o Fundo Monetário Internacional, tem-se uma certeza: a crise será mais ampla, profunda e prolongada do que se pensava. Fato que foi verbalizado na quinta-feira pelo presidente do Banco Central Europeu, Wim Duisenberg, ao dizer, na reunião em que baixou os juros da Zona do Euro, que "não creio que subestimamos o impacto (sobre a economia européia). O que subestimamos foi a duração e a severidade do desaquecimento nos Estados Unidos". O que Greenspan diz é que não se sabe exatamente o tamanho do problema nos Estados Unidos. Para o próprio presidente do Fed vir a público dizer que seus instrumentos de análise estão defasados, é porque a situação é algo grave, para dizer o mínimo. Em suma, o país não sabe direito como a geração de riqueza influencia o consumo. E, fazendo-se a conta ao contrário (ou seja, cada 3 a 5 centavos a mais de consumo representariam um dólar a mais de riqueza gerada no mercado de ações), o crescimento espantoso do consumo nos últimos anos permite concluir que o aumento da riqueza foi realmente extraordinário. O que já se sabe, pelos dados do último censo, é que essa riqueza concentrou-se nas classes mais altas, ampliando ainda mais a distância entre os ricos e os pobres do país. O que não é difícil de entender. A complexidade cada vez maior do mercado de capitais beneficia que tem mais dinheiro para investir e mais informação para divisar as melhores oportunidades e entender o que será feito com o dinheiro. Para resumir: a riqueza se concentrou, e não se sabe com precisão como ela interfere na economia. E não apenas na dos EUA, mas na economia do mundo todo. O pior é que os recursos para reanimar a economia norte-americana estão claramente chegando ao fim. O país já cortou impostos no limite de suas possibilidades, abalando seriamente a âncora de sua estabilidade para o futuro, que é o superávit do Tesouro. Os juros já estão no nível mais baixo em muitos anos e já se provou que seu efeito é cada vez mais reduzido. Se as armas já utilizadas não surtirem efeito, sobrarão poucos recursos para defender, em última análise, o crescimento econômico do mundo todo. Os textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores ou fontes e podem não expressar a opinião da Economiabr.net
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