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:: Trabalho
Retração
econômica enfraquece negociações salariais e desemprego sobe
(economiabr.net, com dados da IstoÉ,
2001-09-02)
A retração da economia causada pela alta dos juros e do dólar, o
racionamento de energia elétrica e a instabilidade gerada pela crise
argentina atinge em cheio o emprego industrial e tirou a força dos
sindicatos nas negociações salariais. É o que aponta reportagem
publicada na revistas IstoÉ.
Os reflexos da freada da economia brotam de todas as fontes. "O
desempenho da economia no segundo semestre de 2001 já está
comprometido", avisou o presidente da Fiesp, Horacio Lafer Piva, à
revista. Ele afirmou que o país vive uma das maiores reversões de
expectativas dos últimos anos.
Sentindo que o mar não está para peixe, muitos desempregados não têm
ânimo nem mesmo para sair de casa à procura de trabalho - e esse
comportamento, conforme o próprio IBGE reconhece, ajuda a explicar por
que o índice que mede o chamado desemprego aberto recuou um pouco em
julho. Como não procuram emprego, não entram nas estatísticas.
Outro indicador relevante é aquele que mostra a quantas andam as negociações
salariais entre patrões e sindicatos. À medida que a crise se agrava,
diminui o poder de barganha dos trabalhadores. De acordo com o
Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos
(Dieese), nos dois primeiros meses do ano todas as categorias conseguiram
pelo menos incorporar aos salários a inflação acumulada desde a negociação
anterior.
Em abril, 20% das categorias fracassaram. E, em junho, o último dado
disponível, os trabalhadores se deram mal em 56% das negociações.
"Em matéria de mercado de trabalho, não há um dia D, o
desaquecimento sempre provoca um efeito diluído. É uma bola de neve que
vai crescendo", diz o economista Sérgio Mendonça, diretor do
Dieese, entrevistado pela revista
Mulheres e negros ainda são
discriminados no mercado de trabalho
(Equipe GD, 2001-09-02)
O mercado de trabalho de São Paulo discrimina mulheres e negros. É o que
constata mais um estudo sobre o perfil racial do emprego, desta vez
realizado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade)
tendo como base o ano de 2000.
De acordo com a pesquisa, o chefe de família não-negro recebe um salário
médio mensal de R$ 1.236, seguido pela mulher não-negra, que recebe em média
R$ 765. Já o rendimento médio do homem negro é de R$ 639 e, para as
mulheres negras, de apenas R$ 412.
A desigualdade racial e de gênero não pára por aí, principalmente no
que se trata das mulheres negras. Em cargos de direção e planejamento,
elas ocupam apenas 4,3% das vagas, enquanto entre as ocupadas não-negras
esse percentual atinge 16,6%. Porém, em cargos de apoio e que não pedem
qualificação (serviços domésticos e afins), as negras representam
quase 30,8% do total, segmento no qual as não-negras não chegam a 14%.
O desemprego também atinge mais as negras. Apesar do nível de desemprego
ter crescido nos últimos anos para todos, o aumento foi mais expressivo
entre as mulheres afro-descendentes, que, sozinhas, representam 20,3% do
total de desempregados. Vale lembrar que elas formam apenas 14% do População
Economicamente Ativa.
Os dados mostrados na pesquisa não são novos, segundo Maria da Penha
Lopes Guimarães, presidente da Comissão do Negro e de Assuntos
Anti-discriminatórios da Ordem dos Advogados do Brasil (Conad-OAB).
"Há anos são divulgados estudos apontando os mesmos dados. Só que
nunca foi elaborada qualquer política pública para revertê-los",
critica.
A advogada acredita que ações governamentais possam melhorar a situação
do negro no mercado de trabalho. "O governo poderia promover
indicadores de promoção de afro-descendência nas empresas, antes de
autorizar qualquer incentivo fiscal ou empréstimos. Poderia também
adotar cotas para alunos negros no Ensino Superior", defende.
A pesquisa tem a intenção de contribuir para os debates que ocorrerão
na III Conferência Mundial Contra o Racismo, Discriminação Racial,
Xenofobia e Formas Conexas de Intolerância, promovida pela ONU, que será
realizada na África do Sul, entre 31 de agosto e 7 de setembro.
Estatísticas
sobre números de empregos engana trabalhadores
(Equipe GD, 2001-09-02)
Quem leu os grandes jornais achou que
estava em algum país próspero, do Primeiro Mundo, tal a quantidade de
empregos anunciada. Nem parecia o Brasil onde a taxa de inflação sobe, o
dólar bate recordes diariamente, as taxas de juros estão no teto, a indústria
e o comércio demitem, existe racionamento de energia e o Produto Interno
Bruto (PIB) está em queda livre. E que ainda é vizinho da Argentina, que
atravessa uma de suas piores crises econômicas.
"O mercado formal de trabalho absorveu 71.386 novos trabalhadores em
julho, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do
Ministério do Trabalho", anunciou um jornal. "O Brasil já
gerou este ano 645.375 novas vagas", alardeou outro. "O ministro
do Trabalho e Emprego, Francisco Dornelles, afirmou que foram criadas 430
mil vagas no mercado formal segundo trimestre deste ano nesse período. É
o dobro do resultado levantado entre os meses de janeiro e março",
informou um terceiro.
Fora as matérias extras que falavam de uma feira que oferece estágios e
empregos, com 2,2 mil vagas para programas de estágio e trainee,
"20% a mais do que no ano passado". Raros foram os órgãos da
imprensa que também informaram que houve queda do emprego no setor
industrial. "A perda mais acentuada foi na indústria de borracha,
fumo e couro, com saldo negativo de 6.453 empregados. Também ocorreram
mais demissões do que contratações de pessoal na indústria têxtil e
de vestuário, na de madeira e mobiliário, na de material elétrico, na
mecânica e na de produtos minerais não metálicos".
Um outro jornal anunciou a criação dos empregos formais, mas alertou:
"O resultado foi inferior ao apresentado em junho, quando o cadastro
contabilizou 108.571 novos postos de trabalho formais e bem menos
expressivo que o balanço de maio - 161.898 novas vagas com carteira
assinada. A queda desse desempenho pode ser atribuída, entre outras razões,
ao racionamento de energia, em vigor desde junho, segundo um técnico do
ministério".
Trabalho em casa ganha espaço
(Cristina Mori e Raquel Souza, 2001-09-02)
Profissionais de diferentes áreas estão conseguindo mais tempo com seus
filhos e uma vida com menos estresse, sem abandonar a vida profissional.
Apesar do trabalho fora da empresa ser uma tendência no Brasil,
especialistas alertam: nem todo mundo se adapta.
Os 'tele-trabalhadores' garantem que o salto em qualidade de vida compensa
as dificuldades. Porém, flexibilidade e autonomia são essenciais para
conseguir produzir sem um chefe por perto.
Grandes empresas, como Shell e Siemens, já possuem políticas de implantação
de 'home-offices' para seus funcionários. Um dos principais desafios será
estender a possibilidade para todos os níveis hierárquicos das
companhias.
O maior risco, segundo a professora da USP Marisa Eboli, é o isolamento:
"Você pode até ficar mais produtivo, mas se não tomar cuidado,
corre o risco de perder o contato com a empresa".
Especialistas
denunciam falta de investimento em crianças e adolescentes
(PanoramaBrasil, 2001-09-01)
O governo não está cumprindo as metas orçamentárias destinadas às ações
para crianças e adolescentes. Até 6 de julho, só 19,14% do orçamento
da área havia sido executado, segundo a Comissão de Direitos Humanos e o
Instituto Nacional de Estudos Sócio-Econômicos (Inesc)
Parlamentares assinalaram que o governo federal executou até agora,
apenas R$ 1,3 bilhões em projetos na área da criança e do adolescente,
o que representa 19,14% do orçamento previsto para esse ano, que é de R$
6,9 bilhões. "Isso vem sendo uma constante no governo, e se
transforma numa bola de neve, passando de ano para ano. No orçamento para
2002, que está sendo entregue hoje ao Congresso, também vai se repetir
essa prática", afirmaram.
A Comissão e o Inesc estão estudando o desenvolvimento de uma campanha
de mobilização nacional. O objetivo será levar a população a exigir
do governo o cumprimento de sua parte orçamentária nos programas que
beneficiam a criança e o adolescente. No total existem 170 projetos
distribuídos pelos ministérios.
Nos dias 17 a 21 de setembro, deputados da Comissão de Direitos Humanos e
representantes do Instituto irão participar da sessão especial das Nações
Unidas, a ser realizada em Nova York, para discutir o assunto. Eles vão
levar informações para confrontar com dados do relatório oficial do
governo, que afirma que o Brasil vem cumprimento as metas no setor.
"Não se pode cumprir metas se não há recursos", criticou o
deputado Orlando Fantazzini (PT-SP).
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