O Brasil vem perdendo grandes fatias de mercados externos para China e México
(InvestNew, 2001-09-08)

Dados da OMC indicam que as exportações do Brasil vêm perdendo enormes fatias de mercado para produtos concorrentes de nações como China e México. E há ceticismo sobre a capacidade de o país reverter a situação em meio à desaceleração econômica global, em que todo mundo quer exportar e não importar.

Um dos problemas é que o Brasil é mais competitivo em alguns produtos que sofrem a ação dura do protecionismo nos mercados industrializados, como aço, ferro-liga, açúcar, etanol, tabaco, suco de laranja, têxteis, calçados. Mas há razão pior, como assinala o Secretário-Geral da Unctad, Rubens Ricupero. "O Brasil não tem quantidade nem qualidade para exportar. Embora sofra sérios problemas de acesso aos grandes mercados, a dificuldade fundamental no comércio exterior do país é de oferta. Quando começa a crescer, o excedente exportável desaparece porque não dá para atender ao mesmo tempo o mercado doméstico e o externo".

Para Ricupero, "o Brasil só ampliou as exportações quando cresceu muito e aumentou a disponibilidade de oferta inclusive de manufaturados e produtos tecnológicos".

Para um dos principais economistas da OMC, Michael K. Finger, além de definir bons alvos, o Brasil pode examinar as melhoras práticas dos grandes exportadores. "Adaptar a produção para melhorar os produtos em cada categoria, controlar preços, estimular "joint ventures", reforçar a integração regional são algumas saídas". A escolha de mercados prioritárias feita pelo Brasil é perfeitamente "compreensível".

 Interessante como poucos analistas preocupam-se com um dos principais gargalos para nosso esforço exportador, que é a precária e altamente custosa estrutura de transportes, em especial os portos, a começar pelo Porto de Santos. Nossos custos portuários - em termos de complexidade burocrática, preços de operações e prazos de espera de cargas e navios - estão entre os mais desfavoráveis do mundo. Talvez de pouco vá adiantar priorizar produtos e mercados, até reduzir a carga tributária, se não houver alguma ação sobre a eficiência da estrutura portuária.

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