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Inovar é o caminho Os economistas costumam supor que o caminho para a melhora do bem-estar de uma população consiste em deixar que as empresas se ajustem aos preços livremente estabelecidos pelo mercado. Para tanto o mais importante é que os preços dos fatores de produção reflitam fielmente a sua escassez ou abundância relativas. Isso pode requerer o desmonte de instituições e políticas que estejam distorcendo preços -e com isso induzindo o uso de fatores em combinações que não seriam as escolhidas se os preços fossem livremente determinados. Segundo os adeptos dessa visão, a correção, aliás, se faria de forma rápida e indolor. As chamadas reformas de estrutura que varreram o mundo nos anos 80 e 90 foram propostas tendo em vista este tipo de melhoria: levar as empresas a combinar fatores de acordo com os preços ditados pelo mercado -e não como consequência de políticas, sob pressões corporativas, por corrupção etc. Um segundo caminho para o crescimento consiste na reprodução de soluções desenvolvidas em economias mais avançadas. Esse tem sido o caminho, desde a Alemanha de Bismarck, dos países que, vislumbrando nos mais adiantados a imagem do seu próprio futuro, tratam de promover o transplante, para o seu próprio contexto, de soluções consagradas em outras partes. Pode-se afirmar que o Brasil teve dois grande surtos de imitação de soluções adotadas nos países mais avançados. O primeiro (que poderia ter por símbolo Volta Redonda) se estendeu até o início dos anos 1980, quando cessaram os transplantes promovidos pelo 2º PND. Uma nova onda de imitações ocorreu nos
anos 1990, a qual ainda não foi devidamente estudada e entendida. Nesse
caso, no curto espaço de uma década, foram replicadas no Brasil soluções
capazes de mudar completamente a organização das empresas e do trabalho.
Além disso, numerosas técnicas produtivas foram também transplantadas
para o país. Há, no entanto, um terceiro caminho para
o crescimento, pouco explorado no Brasil: a inovação. Por meio dela, a
empresa muda para avançar. Não exageremos: pequenas melhorias, ditas
incrementais, foram, sim, introduzidas pelas empresas brasileiras, na
medida em que acumulavam experiência. Inovação, porém, tem alta dose
de ruptura -e, há que insistir, esse foi o caminho menos explorado, neste
país, até o presente. Quanto a promover novas ondas de imitação, buscando trazer para o país setores ou atividades aqui praticamente inexistentes, convenhamos que as possibilidades são bastante limitadas. Primeiro porque não se dispõe dos recursos necessários, segundo porque isso requereria uma reconcentração de poderes nas mãos do Estado, hoje inviável. Chegamos por fim ao terceiro e último caminho: o da inovação. Para justificar a sua importância, digamos apenas que, sem inovar e no ambiente intensamente competitivo com que agora se defrontam, as empresas nacionais serão obrigadas a se refugiar em nichos de mercado -ou cair na vala comum dos mercados de baixo retorno. No primeiro caso, as chances de crescimento são quase nulas e o emprego não se expande. No segundo, o crescimento é lento e os salários tendem a ser achatados. Faltou, evidentemente, indagar sobre a relação entre multinacionais e o caminho das inovações. Trata-se, porém, de um tema no mínimo controverso e, sobretudo, jamais seriamente discutido. ___________________ Os textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores ou fontes e podem não expressar a opinião da Economiabr.net |
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