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O fantasma da inflação foi substituído pelo temor do desemprego nos anos 90
(Hélio Barbosa Hissa, 2001-09-10)

Até a metade da última década do século XX o grande fantasma que sempre rondava a economia brasileira era a inflação, que, nos primeiros sete meses de 1994, já havia acumulado alta de 825,7%. Foi quando o Ministério da Fazenda lançou o “Plano Real”, como nova tentativa de estabilização econômica do país.

O plano fez sucesso de imediato, reduzindo a taxa inflacionária para 3% ao mês em outubro de 1994, situando-se em 8,43% no ano em 1999. Comparada aos países do primeiro mundo essa taxa ainda é elevada, mas de qualquer forma encontra-se bem abaixo dos índices registrados na primeira metade dos anos 90.

TABELA 1 – INFLAÇÃO ANUAL (INPC – em %)

1990

1991

1992

1993

1994

1995

1996

1997

1998

1585,18

475,11

1149,06

2489,11

929,32

21,98

9,12

4,34

2,49

Fonte: IBGE
* Projeção de “Conjuntura Econômica”


Afastado o fantasma da inflação, esta última acabou sendo substituída por outro temor: o desemprego. Entre 1990 a 2000, o número de desempregados no Brasil duplicou. Em 1990 a taxa de desemprego aberto era de 3,7% , sendo que em junho de 2000 esse percentual elevou-se para 7,4%. Até 1999, segundo os dados do IBGE, existiam 7,7 milhões de desempregados no Brasil, ficando apenas atrás da Rússia, com 9,1 milhões de desempregados, e a índia, com 40 milhões de desempregados.

Por outro lado, o desemprego é alarmante não só nos países subdesenvolvidos, mas em todo o planeta, cujas causas podem ser atribuídas principalmente à globalização e ao progresso tecnológico.

TABELA 2 – O Desemprego no Brasil no Contexto Internacional

PAÍSES SELECIONADOS TAXA DE DESEMPREGO ABERTO (%)

1990 1997

Alemanha 7,2 11,1

França 8,9 12,6

Itália 11,0 12,1

Espanha 16,3 22,1

Reino Unido 6,8 6,1

Brasil 3,7 7,8

Argentina 6,3 16,3

Uruguai 8,5 10,20

Paraguai 6,6 8,2

Japão 2,1 3,2

Estados Unidos 5,6 5,0

Fonte: Conjuntura Econômica, agosto de 1999, p. 85.

Pela tabela acima, verifica-se que Estados Unidos e Reino Unido foram os únicos que tiveram um pequeno decréscimo nas taxas de desemprego, devido a maior facilidade de adaptação às metamorfoses da globalização, e também pela maior mobilidade de suas legislações trabalhistas. Porém, os demais países apresentaram tendências altistas nos índices de desemprego, inclusive o Brasil, cujas taxas, no referido período, duplicaram (de 3,7% para 7,8%).

Diversos fatores específicos são apontados para explicar o crescimento do desemprego mundial. Entre eles estão a desindustrialização, a desregulamentação, as privatização, a inovação tecnológica, o ajuste fiscal, a menor intervenção do Estado na economia, a abertura comercial, abertura financeira, além de outros. Todos esses fatores estão presentes, em maior ou menor grau, na transformação estrutural das economias nacionais, que é a própria globalização.

Advirta-se, contudo, que apesar de as medidas neoliberais, vistas acima, estabilizarem a economia, na verdade elas não resolvem os graves problemas sociais; pelo contrário elas contribuem para o crescimento do desemprego, da concentração de renda e do conseqüente aumento da pobreza no plano internacional, colocando em risco a própria estabilização.

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Hélio Barbosa Hissa,  Pós-graduado em Planejamento e Desenvolvimento Econômico – CAEN,  Mestrando em Economia Empresarial -CAEN

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