:: Economia
Risco do Brasil sobe e ultrapassa barreira dos 10%
(economiabr.net, 2001-09-22)
Com a elevação, o país passou a ocupar a 5ª posição entre os países que representam maior risco no mundo. Até a Turquia está avaliada em melhor posição, com 10%
Desde os atentados aos Estados Unidos, o risco do Brasil, medido pelo EMBI+ (Emerging Market Bond Index) índice do JP Morgan para calcular o risco de cada país , vem registrando consecutivas altas. A classificação já ultrapassou a barreira de 10%, o pior nível desde outubro de 1999. Nesta sexta-feira, o risco encerrou o dia a 11,5%. Um dia antes do ataque terrorista, em 10 de setembro, o risco era de 9,7%.
Com a elevação (11,5%), de acordo com o levantamento do JP Morgan, o Brasil passou a ocupar a quinta posição entre os seis países que representam maior risco no mundo. A lista é encabeçada pela Nigéria (19,51%), seguida pela Argentina (16,37%), Equador (15,42%) e a Ucrânia (15,16%). Até a Turquia, outro país emergente que enfrenta sérias dificuldades financeiras desde o início do ano, está em melhor colocação que o Brasil, ocupando a sexta posição com 10%. Para os investidores, o aumento da taxa de risco significa maior possibilidade de o país não honrar seus compromissos.
Se está ruim para os EUA, imagine para os emergentes
(The Washington Post, 2001-09-23)
Por pior que esteja a situação econômica nos EUA, o cenário é muito pior nos países em desenvolvimento, e por isso o governo Bush pretende acelerar a ajuda às nações mais duramente atingidas pela crise, especialmente aquelas que apoiem a campanha anti-terror de Washington, diz o colunista Paul Blustein, do Washington Post.
"Um relatório do Institute of International Finance divulgado ontem projeta que o fluxo dos fundos privados para as economias emergentes está caindo tão rápido que chegará este ano a seu nível mais baixo em uma década.
O declínio reflete o aumento da aversão dos investidores a riscos depois dos ataques terroristas de 11 de setembro, assim como uma drástica redução da atividade econômica global e as crises que atingem a Argentina e a Turquia. Há outros sinais dessa deterioração e de surgimento de novas crises: a moeda brasileira, o real, já se desvalorizou 5 por cento desde os ataques, registrando uma queda recorde frente ao dólar; o real perdeu cerca de 29 por cento de seu valor este ano, apesar de um empréstimo de emergência do FMI para o Brasil."
Um golpe duro nas companhias aéreas da América Latina
(The New York Times, 2001-09-22)
O New York Times diz que a aviação comercial na América Latina "região intimamente ligada aos EUA, pela geografia, comércio, turismo e imigração, já vinha lutando com dificuldade antes dos ataques terroristas contra Nova York e Washington. "Agora, algumas das empresas mais vulneráveis poderão fechar as portas".
"Os lucros que as companhias aéreas latino-americanas conseguiram obter nos últimos anos vieram basicamente de vôos de longa distância para os EUA e para a Europa, e não das rotas domésticas que estão sujeitas a controle das tarifas", explica Larry Rohter, do NYT.
"Mas estes vôos longos serão os que mais sentirão os efeitos da atual crise. 'As perdas serão tremendas. Não posso imaginar ninguém planejando uma viagem ao exterior hoje sem ficar imaginando o que poderá acontecer, se haverá uma ação militar que obrigará à suspensão dos vôos, deixando as pessoas impossibilitadas de voltar para casa', diz George Ermakoff, presidente da associação brasileira de companhias aéreas.
A maior companhia aérea da América Latina é a brasileira Varig, que acumulou um prejuízo de mais de US$20 milhões na primeira metade de 2001 - mais do que a empresa perdeu em todo o ano passado. "Mas para o segundo semestre, os resultados serão ainda piores', diz Luiz Gustavo Cardoso, da corretora Multistock de São Paulo.
O Brasil está preocupado também com o impacto em sua principal empresa exportadora, a Embraer, quarta maior fabricante de aviões do mundo. Os ADRs da companhia caíram 40 por cento desde os ataques ao World Trade Center, devido à preocupação com a suspensão de novas encomendas de aviões."
Entrada da China na OMC causará impacto significativo no comércio internacional
(Global21, 2001-09-22)
Parece que foram finalmente concluídos os entendimentos para o ingresso da China na OMC, após 15 anos de negociações. Um documento de 800 páginas será formalmente aprovado esta semana na sede da OMC, em Genebra, e adotado pelos ministros de comércio exterior em novembro, no Catar. Mas já pairam dúvidas se a entrada da China na OMC poderá levar a uma massiva do sistema de comércio internacional.
A China tem 1,2 bilhão de habitantes e é o quinto maior país com poder de comércio, além de ser o maior mercado. Entrar na OMC dará à China fácil acesso ao mercado global, devendo suas exportações e importações decolarem. Assim, os consumidores verão daqui para frente nas lojas um aumento de etiquetas "made in China", ao mesmo tempo em que empresas competitivas podem sentir-se ameaçados ante a perspectiva de perderem mercado.
Os líderes chineses estão convencidos de que o aumento de investimentos estrangeiros e o grande acesso ao mercado externo vão criar mais emprego e trazer prosperidade - dois pontos-chave para manter o Partido Comunista no poder. Mas, no curto prazo, a expectativa é de que milhões de chineses fiquem sem trabalho, uma vez que ineficientes fazendas familiares e empresas estatais devem perder terreno para produtos importados. Mais produtos estrangeiros podem, ainda, minar as regras comunistas ao expor a China às idéias ocidentais
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