Relatório da instituição traça cenário sombrio para países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, como conseqüência dos atentados terroristas dos EUA
O Banco Mundial (Bird) previu, em relatório, que os países pobres entrarão ou continuarão em recessão, como reflexo dos atentados terroristas contra os EUA. A recessão será provocada por uma forte queda das exportações, do turismo, dos preços das matérias primas e dos investimentos, informou. Os capitais privados investidos nos países em vias de desenvolvimento cairão dos US$ 240 bilhões em 2000 para cerca de US$ 172 bilhões em 2001. Por causa desses impactos econômicos, o Bird estimou a morte de 20 mil a 40 mil crianças no mundo e a condenação de 10 milhões de pessoas a viver abaixo da linha da pobreza.
O presidente James Wolfensohn disse ao jornal The International Herald Tribune, que o crescimento econômico médio dos países industrializados poderá limitar-se em 2001 a 0,95% do PIB. ''Há uma relação absolutamente clara entre a queda da atividade econômica por um lado e a mortalidade infantil e a pobreza por outro'', adiantou. ''Estimamos que entre 20 mil e 40 mil crianças com menos de 5 anos morram no mundo e cerca de 10 milhões de pessoas serão condenadas a viver abaixo da barreira tolerável da pobreza (US$ 1 por dia), devido aos ataques terroristas.''
Trata-se da primeira avaliação do Bird após os ataques aos EUA. "Nós vimos as perdas humanas dos recentes ataques contra os Estados Unidos, como a morte de cidadãos de cerca de 80 países", disse Wolfensohn. "Mas há um outro custo humano que é invisível e que será sentido em todas as partes do mundo, especialmente na África", afirmou.
Antes dos ataques, o Bird projetava um crescimento de 1,1% este ano e 2,2% em 2002 para os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Agora, o banco admite uma quebra de até 1,25 ponto na projeção do ano que vem.
O banco também prevê que os fluxos de capitais para os países em desenvolvimento, que já vinham arrefecendo antes dos ataques, cairão mais e "e se concentrarão em países considerados relativamente imunes à crise". O padrão estabelecido nos anos 90, quando os fluxos de capitais privados passaram a representar uma parcela bem maior das necessidades de financiamento dos países em desenvolvimento deve reverter a curto prazo, assim que as atividades de investimento e crédito contraírem nos países de risco menor.
Segundo o Bird, "isso exigirá maior apoio de fontes oficiais bilaterais e multilaterais para atender as crescentes necessidades de financiamento de um número crescente de países em desenvolvimento".
"Já há sinais de que custos mais elevados e a redução da atividade econômica estão deprimindo o comércio global", afirma o Bird. Os custos de seguro e de segurança e os atrasos na liberação de produtos em alfândegas estão levando ao um aumento dos custos do comércio. As empresas de transporte marítimo, por exemplo, já aumentaram o preço da carga para a Índia em 10 a 15%.
O relatório marca ainda que os fluxos de comércio relacionados com turismo estão sendo atingido de uma maneira "excepcionalmente dura". Nada menos de 65% das reservas nas ilhas do Caribe foram canceladas. Há um refluxo do turismo em todas as partes.
"Os efeitos dos ataques de 11 de setembro atingiram os diferentes grupos de países em desenvolvimento de diferentes maneiras, de acordo com suas vulnerabilidades particulares", calcula o banco.
"Em países pobres, que estagnarem ou entrarem em recessão em conseqüência do declínio de exportações, do turismo, dos preços de commodities e dos investimentos estrangeiros, aumentará o número de pessoas que vivem com menos de US$ 1 por dia; países que tiverem crescimento positivo, mas mais lento, terão um número menor de pessoas deixando a faixa da pobreza". As informações são da Agência Estado e da Folha Online