(economiabr.net, 2001-10-06)
O banco de investimentos Morgan Stanley
Dean Witter, um dos mais influentes dos EUA, está prevendo que o Brasil
vai crescer no ano que vem ainda menos do que este ano. Em um estudo sobre
as perspectivas para a economia brasileira, a instituição projeta expansão
de 1% no Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2002, contra 1,5% este
ano.
Antes dos atentados, a previsão era que
no próximo ano o Brasil se recuperaria e crescesse 2,9%. “Esperamos que
o efeito retardado da elevação das taxas de juros (iniciada em março)
continue a comprimir o crescimento”, afirmam os analistas Gray Newman e
Claudia Castro, que também avaliaram a economia do México (leia
a íntegra do estudo).
Esse é o segundo alerta sobre uma possível
deterioração da economia brasileira -- uma análise da agência de
avaliação de risco Standard & Poor’s afirma que o Brasil está
entre os três países mais expostos à vulnerabilidade externa na América
Latina. Outras instituições já haviam revisto para baixo sua projeção
de crescimento para o Brasil (como o Fundo Monetário Internacional e o próprio
Banco Central), mas é a primeira vez que se prevê um resultado pior em
2002.
O cenário traçado pelo Morgan Stanley
é sombrio: a queda dos investimentos (já bastante aguda no segundo
trimestre) vai se manter em razão da elevação dos juros e das
perspectivas de maior fragilidade na atividade econômica; o consumo vai
cair, em razão do declínio dos salários e do aumento do desemprego; o
setor exportador, que tem dado algum fôlego ao país nos últimos meses,
terá seu crescimento limitado pela desaceleração da economia mundial.
Assim como alertara a Standard & Poor’s,
o Morgan Stanley também vê a fragilidade das contas externas brasileiras
como o principal problema do país. “O maior desafio que vemos no Brasil
continua sendo a relação entre a fraqueza da moeda e a crescente carga
da dívida do país, que por sua vez pressiona as contas externas do
Brasil”, destaca o estudo.
“O risco do Brasil é que a atual tendência
de enfraquecimento do real pode facilmente fazer a carga da dívida pular
de 53,7% (em agosto) para perto de 60% do PIB nos próximos 12 meses.
Ainda que um ajuste fiscal adicional pareça ser necessário, há algum
risco de que a proporção do ajuste fiscal exigido para conter o impacto
da dramática fragilidade do estoque da dívida seja simplesmente impraticável”,
afirmam os analistas do banco de investimento.
A projeção do Morgan Stanley é que o dólar
termine o ano no Brasil cotado a cerca de R$ 2,75 (antes, a previsão era
de R$ 2,45), e que no ano que vem volte à casa dos R$ 2,5. “Mas
reconhecemos que há risco de que nesse ínterim possamos ver o dólar se
aproximando de R$ 3,0”, adverte
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