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Enquanto as empresas privadas demitem, o Estado keynesiano dos EUA contrata
(com informações da Agência Estado, 2001-10-02)
Enquanto setores ligados à aviação e ao turismo vêem seu movimento cair à metade e demitem proporcionalmente, organismos federais estão abrindo vagas com salários de até US$ 80 mil por ano de salário, principalmente para o setor de segurança.
Mesmo assim, a crise no mercado de trabalho já mostra suas conseqüências. A renda pessoal dos norte-americanos ficou praticamente estagnada em agosto, com crescimento de apenas 0,1%, equivalente a US$ 1,8 bilhão. É o pior desempenho em mais de 7 anos.
Os gastos pessoais também tiveram um desempenho bastante modesto, com crescimento de apenas 0,2%. É verdade que a expectativa dos economistas era de um crescimento também moderado, de 0,3%. Mesmo assim, é importante lembrar que agosto foi o mês em que se concentrou a maior parte dos pagamentos da parcela deste ano da devolução de imposto de renda, dentro do grande programa de uma década de duração e US$ 1,35 trilhão de devoluções aprovado no início do ano pelo governo de George W. Bush. Mesmo assim, o consumo ficou abaixo das expectativas.
Órgãos do governo federal como o FBI, a alfândega e o departamento de aviação civil abriram grande quantidade de novas vagas depois dos ataques terroristas de 11 de setembro. A maioria está relacionada a reforço na segurança e aumento nas fiscalizações.
O Departamento de Alfândega, por exemplo, quer contratar 3 mil funcionários para repor fiscais que estão se aposentando em postos de fronteira, portos e aeroportos em todo o país. Em três dias e meio, o Departamento recebeu quase 6 mil respostas e cancelou o recebimento de novas inscrições.
A Federal Aviation Administration, que administra os aeroportos do país, colocou na Internet um anúncio para um número não revelado de vagas para agentes de segurança de nível iniciante, com menos de 37 anos e que poderão ganhar entre US$ 35 mil e US$ 80 mil por ano. Em uma semana, foram 150 mil respostas.
Logo após os ataques a Washington e Nova York, o FBI ofereceu vagas para investigadores fluentes em árabe, farsi (falado no Irã e parte do Afeganistão) e pashtu (idioma dos afegãos, também falado no Paquistão). O anúncio exigia cidadãos norte-americanos, que falem inglês, tenham residência no país e estejam dispostos a uma extensa investigação de sua vida pregressa para ganhar entre US$ 27 e US$ 38. Teve 12 mil respostas em duas semanas.
O porta-voz do FBI, Bill Carter, não quis relacionar o elevado número de respostas ao aumento do desemprego. Preferiu dizer que eram "indivíduos que querem ajudar nestes tempos de patriotismo".
No setor privado, entretanto, as demissões crescem em ritmo assustador, proporcional à queda de atividade em alguns setores. Algumas regiões têm sido particularmente atingidas. A cidade de Dallas, por exemplo, que é sede da American Airlines, a maior companhia aérea do mundo, que teve dois jatos utilizados como armas pelos terroristas no dia 11. Uma empresa de recolocação de executivos viu quadruplicar, de 25 para 100 por semana, o número de currículos enviados espontaneamente por desempregados. Já a taxa de ocupação do hotel Hyatt do aeroporto Dallas-Fort Worth despencou de 70% para 35%.
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