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O equilíbrio fiscal dos EUA no longo prazo está em risco, diz Krugman
(*economiabr.net, 2001-10-01)
Para limitar essa ameaça, o economista sugere a regra geral de que o Congresso não aprove, no calor da crise, leis que afetem receitas e despesas além de 2002
O economista e professor da Universidade de Princeton, também colunista do The New York Times, Paul Krugman, alertou em artigo publicado em 24/09/2001, para o risco de os Estados Unidos comprometerem o equilíbrio entre receitas e despesas num período longo de tempo, além de 2002.
Ele lembrou que no fim de 1997, quando a Coréia do Sul se viu repentinamente em crise econômica, houve um grande surto de patriotismo. Mulheres ofereceram sua jóias de ouro ao governo para ajudar a reconstruir as reservas exauridas de moeda estrangeira; milhões de pessoas cortaram seus gastos, sentindo que era irresponsável comprar produtos de luxo quando a nação estava ameaçada.
"Claro, esta disposição de se sacrificar pelo bem nacional piorou as coisas: a queda dos gastos de consumo foi um dos fatores que empurrou a Coréia do Sul para uma recessão extremamente grave e conhecida", relata Krugman . Ele diz em seu artigo que menciona esse pedaço de história recente pela razão óbvia: embora a rede de televisão CNN esteja chamando a atuação dos EUA de "a nova guerra da América", até agora, os efeitos econômicos do ataque terrorista de 11 de setembro parecem muito pouco com os geralmente associados à guerra, e muito com o que se viu na crise financeira asiática.
"Depois de uma semana terrível nos mercados financeiros, está mais claro do que nunca que os instintos em geral generosos de uma nação sob ataque estão, na verdade, piorando a situação agora vivida. Então, qual seria a resposta? Alguns esforços foram feitos para convencer as pessoas de que é seu dever patriótico gastar dinheiro. Mas não creio que isso vá funcionar: vai muito contra o cerne da natureza humana, contra o sentimento de que tragédia exige sacrifício e não auto-indulgência", lembra.
A campanha popular antes da reabertura do mercado estimulando as pessoas a comprarem ações como um gesto de confiança na América, já fez o efeito contrário: todos que patrioticamente compraram ações foram apanhados num colapso do mercado que eliminou mais de US$ 1 trilhão em valor patrimonial, prossegue o economista. Enquanto isso, os administradores de fundos de hedge para venda a descoberto, que não permitiram que o sentimentalismo tomasse o lugar dos negócios, se deram muito bem.
Um passo necessário, para o economista, seria acelerar o fluxo de gastos do governo para a economia. Krugman lembrou que uma das lições da crise asiática, como disse então Stanley Fischer do FMI, foi que "o keynesianismo está vivo e passa bem", pois o aumento dos gastos governamentais ajuda a economia. E os gastos adicionais decorrentes do ataque — US$ 45 bilhões até agora, muito mais por vir — acabarão imprimindo um grande impulso à economia.
Mas, lembra Krugman, existe agora o risco de que o "efeito patrimônio" do colapso do mercado da semana passada, os efeitos adversos das quedas das ações sobre os gastos de consumo, superarem o ímpeto do estímulo fiscal.
O economista lembra que Alan Greenspan preveniu, na semana passada, de que "é muito mais importante estarmos certos do que sermos rápidos". Kurgmann diz que não está muito certo do que ele quis dizer com isso, por isso não está muito seguro se concorda com isso. "Se ele quer dizer que é muito importante não reagir à fraqueza da economia com um chamado pacote de estímulo que englobe uma nova rodada de cortes de impostos permanentes, eu decididamente concordo."
Como assinalou Greenspan, prossegue Kurgmann, um risco para a economia é que uma perspectiva orçamentária piorando no longo prazo fará aumentar as taxas de juros de longo prazo. "Isso é a última coisa que precisaríamos."
Para limitar esse risco, Krugman sugere a regra geral de que o Congresso não aprove leis no calor desta crise que afetem as receitas e as despesas além do próximo ano.
"Mas em termos de ação imediata, pode ser mais importante que o dinheiro já prometido seja gasto imediatamente, do que o fato dele existir.
Um pensamento otimista final: a recessão na Coréia do Sul durou menos de um ano; em 1999, a economia estava em franca recuperação. Deveríamos ser capazes de fazer melhor do que isso."
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*Economiabr.net, com dados da Folha On-line
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