IBGE: mercado de trabalho mostra sinais de deterioração
(Economiabr.net, com dados da Folha OnLine)

Rendimento médio do trabalhador caiu 4,6% na comparação com agosto do ano passado, e 113 mil pessoas deixaram de procurar ocupação por falta de vagas

Apesar de o nível de desemprego em setembro ter se mantido no mesmo patamar dos meses de julho e agosto (6,2%), o mercado de trabalho mostrou sinais de deterioração. De acordo com dados da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quinta-feira, a falta de vagas para absorver a mão-de-obra trouxe de volta o desalento: 113 mil pessoas deixaram de procurar ocupação. Outro dado alarmante diz respeito ao salário. Na comparação com agosto do ano passado, o rendimento médio do trabalhador caiu 4,6%.

O número de trabalhadores vem caindo no país, enquanto cresce o número de inativos (incluindo os que, desanimados, desistiram de procurar trabalho). A técnica do Departamento de Emprego e Rendimento do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza, apresentou dados segundo os quais em setembro do ano passado o percentual de pessoas com 15 anos ou mais que estavam trabalhando era de 54,51%, caindo para 52,84% no mesmo mês deste ano. Nesse intervalo de 12 meses, 106 mil pessoas deixaram de trabalhar no Brasil. Por outro lado, o percentual de inativos - que inclui também aposentados, donas de casa e estudantes - aumentou 2,1% no período, passando de 41,61% (setembro de 2000) para 43,71% (setembro de 2001), numa redução total de 113 mil pessoas procurando trabalho.

Segundo Shyrlene, os dados demonstram que, apesar de a média da taxa de desemprego dos noves primeiros meses deste ano (6,2%) ser inferior à do mesmo período do ano passado (7,5%), "o mercado de trabalho está pior". "O mercado não está criando vagas suficientes, nem mesmo para absorver a mão-de-obra que procura seu primeiro emprego. Mesmo com a taxa de desemprego estável, o mercado está em piores condições do que no ano passado", explicou. Ela esclareceu ainda que a taxa de desemprego, isoladamente, não é suficiente para analisar o comportamento do mercado de trabalho.

A queda no rendimento médio (4,6%) em relação a agosto de 2000 só acentua o cenário de deterioração. Na comparação da média dos oito primeiros meses deste ano com o mesmo período do ano passado, houve queda de 2,2% no rendimento. A técnica do IBGE disse que os fatores que estão provocando a redução do rendimento são os mesmo que levaram à diminuição do número de pessoas trabalhando: a alta do dólar e dos juros e o racionamento energético. Ela lembrou que é difícil a recuperação do rendimento quando o número de pessoas fora do mercado de trabalho aumento, como está ocorrendo agora. O rendimento médio nominal em agosto foi de R$ 749,53, equivalente a 4,2 salários mínimos.

________________

Fazer comentário

Enviar para amigo

Imprimir a página

Os textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores ou fontes e podem não expressar a opinião da Economiabr.net