:: Economia

Antraz e desemprego fazem confiança desabar nos EUA
(Invertia, 2001-11-04)

Índice despencou 12% em outubro e atingiu o nível mais baixo desde 1994; também aumentou o número de pessoas que acreditam no aumento do desemprego e na piora do cenário econômico

A confiança do consumidor dos Estados Unidos despencou ao menor nível em 7 anos. O índice mais importante do gênero no país, medido pela consultoria Conference Board, caiu 12%, de 97 pontos em setembro para 85,5 em outubro.

Este é o primeiro índice de confiança medido depois que ataques bioterroristas com cartas contendo a bactéria do antraz espalharam pânico entre os norte-americanos. O aumento das demissões desde os atentados de 11 de setembro também ajudaram a derrubar a confiança, cujo índice toma como base o ano de 1985, em que estava em 100 pontos.

A queda foi mais forte do que a projeção dos analistas, que esperavam um índice na faixa de 95 pontos. O índice de condições atuais teve uma queda ainda mais expressiva de 15%, para 107,6 pontos, de 125,4 no mês anterior. O índice da Conference Board trouxe um resultado diferente do medido pela Universidade de Michigan, que apontou ligeira melhora na confiança (81,8 para 82,7 pontos). Segundo especialistas, isso acontece porque a pesquisa divulgada nesta terça é mais sensível aos problemas do mercado de trabalho do que outros levantamentos.

A pesquisa da Conference Board, feita em 5 mil residências, mostra ainda que o total de consumidores que classifica a economia como ruim subiu de 18,3% em setembro para 20,6% em outubro. Para 20,3%, a economia ainda vai piorar (de 15,8% em setembro) e, para 28,9%, o desemprego vai aumentar (eram 22,5% na pesquisa anterior).



Desemprego bate novo recorde no Japão: 5,3% em setembro 
(Folha, 2001-11-03)

O desemprego no Japão alcançou 5,3% em setembro, em mais um recorde de alta. A perspectiva de recuperação do mercado de trabalho é muito pequena, segundo um representante do gabinete do primeiro-ministro Junichiro Koizumi, que previu que a economia japonesa deve passar por uma recessão nos próximos dois anos. Na segunda-feira, o Banco do Japão (BOJ) também alertou para a iminência de uma recessão, prevendo recuperação da economia só em 2003. A já delicada situação do país piorou ainda mais depois dos atentados terroristas ocorridos nos Estados Unidos em 11 de setembro. O índice atual é o maior desde que o desemprego começou a ser medido, na década de 1950.



Nova debate sobre a quebra de patentes de remédios
(The New York Times, 2001-11-02)

Hoje, com certeza, os americanos podem entender a necessidade de dar aos países pobres todas as armas possíveis para lutar contra a epidemia de Aids, diz um editorial do New York Times. "Quando o governo americano quis estocar o antibiótico Cipro para tratar vítimas do antraz, o secretário de Saúde, Tommy Thompson, convenceu a Bayer, a dona da patente, a reduzir o preço da droga ameaçando comprar genéricos. Apesar disso, o governo Bush quer impedir os países pobres atingidos pela epidemia de Aids de fazer o mesmo. Para milhões de vítimas da Aids, as patentes que mantêm altos os preços dos remédios são a principal razão para não terem acesso ao tratamento contra a doença. O antraz matou até agora um punhado de americanos. A Aids já matou 22 milhões de pessoas no mundo todo. 
Os membros da Organização Mundial do Comércio vão se reunir no dia 9 em Doha, Catar, para tentar lançar uma nova rodada de conversações comerciais de alto nível. A maioria das nações do mundo, liderada pelo Brasil, quer aprovar uma declaração estabelecendo que nada nas regras sobre patentes da OMC pode impedir os governos de proteger a saúde pública. Uma resolução da OMC declarando claramente que a saude pública vem em primeiro lugar daria a estes países apoio político. 

Os EUA e a Suíça, sedes de muitas multinacionais da indústria farmacêutica, estão bloqueando a declaração e propondo uma versão mais fraca, inaceitável para a maioria dos outros países. Seu texto reduz o peso das necessidades da saúde pública e não acaba com importantes barreiras às drogas mais baratas, especialmente uma proibindo países que podem fabricar genéricos de exportá-los para aqueles que não tem capacidade para isso. O governo americano, repetindo as companhias farmacêuticas, argumenta que as patentes não são uma barreira significativa aos tratamentos contra a Aids". 



Bird: só remoção de barreiras e abertura do comércio podem pôr fim à crise mundial

Relatório da instituição  diz que a expansão do comércio poderia aumentar o crescimento do PIB dos países mais pobres em 0,5%; isso faria com que 300 milhões de pessoas saíssem da faixa de pobreza até 2015

O Banco Mundial (Bird) pediu aos países ricos que removam suas barreiras comerciais e abram seus mercados aos produtos agrícolas dos países pobres. Essa, segundo o Bird, seria a única forma de fazer a economia voltar a crescer, evitando a recessão nos países desenvolvidos e o caos nos países em desenvolvimento. No relatório Perspectivas da Economia Global e os Países em Desenvolvimento, o Bird afirma que os atentados terroristas nos EUA "puseram um freio nos motores da economia mundial, que já estavam dando sinais de fraqueza" e que a região mais afetada pela redução do comércio mundial é a América Latina. 

Segundo o Bird, essa é a primeira vez, desde 1982, que as economias dos EUA, da Europa e do Japão recuam ao mesmo tempo. Com isso, o comércio mundial irá crescer apenas 1% em 2001 depois de uma expansão de 13% no ano passado. Os países em desenvolvimento, que vivem das divisas geradas pelas exportações, são os principais afetados, segundo o Banco Mundial. Uma revisão das perspectivas, realizada pelo Bird, mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina terá a um crescimento máximo de 0,9% neste ano. Em 2000, a expansão foi de 3,8%. "A desaceleração tem sido especialmente aguda na Argentina, no Brasil e no México", diz o texto. 

De acordo com o relatório, a expansão do comércio poderia aumentar o crescimento do PIB dos países mais pobres em 0,5%. Isso faria com que 300 milhões de pessoas saíssem da faixa de pobreza até 2015, e outras 600 milhões deixassem de ser totalmente miseráveis. "Os países em desenvolvimento podem ganhar uma renda adicional de cerca de US$ 1,5 trilhão ao longo dos próximos dez anos, enquanto os desenvolvidos poderão ver sua renda aumentar em cerca de US$ 1,3 trilhão, havendo uma liberalização real do comércio", diz trecho do relatório.

De acordo com o Bird, os países ricos gastam US$ 1 milhão por dia em subsídios às suas respectivas agriculturas, soma seis vezes maior que toda a ajuda concedida ao desenvolvimento dos países pobres. A solução, diz, seria instituir uma ''nova arquitetura global de comércio'': abolir completamente as barreiras comerciais para os países pobres e seus produtos e fomentar o comércio fora do âmbito da OMC.

Os países ricos teriam de abrir seus mercados bilaterais, assim como os países em desenvolvimento deveriam promover mais trocas entre si. É preciso, também, tomar amplas medidas nos setores da saúde, emprego e comunicações, fomentar a troca de conhecimentos sobre a agricultura e investir mais nas regiões afetadas pela fome.

Apesar do atual quadro negativo, o Banco Mundial estima que as perspectivas dos países pobres são favoráveis. O relatório aponta políticas econômicas mais eficazes, maior poupança, mercados mais abertos e uma maior variedade de produtos e serviços. Ao concluir o relatório, o economista Nick Stern diz o seguinte: ''Temos hoje a opção: ou continuamos seguindo o caminho da maior abertura, que desde cinco décadas tem proporcionado bem-estar e integração, ou criamos um abismo, colocando em jogo as conquistas do passado''.

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