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A faculdade prepara para o mercado de trabalho?

Você acha que sabe o suficiente para concluir o curso superior e entrar com o pé direito no mercado de trabalho? Se você respondeu que não, saiba que não está sozinho. A maior parte dos formandos acha que existe um abismo entre o que o mercado de trabalho exige e o que a faculdade lhes oferece. Daí, talvez, a grande dificuldade em conseguir o primeiro emprego.

E aí? Será que a culpa por essa defasagem é só da faculdade? Os estudantes também não são responsáveis? A psicóloga e pedagoga Joyce Ajuz Coelho analisou a diferença entre o conhecimento dos adolescentes sobre as exigências do mercado e o que eles realmente fazem para atendê-las. Joyce entrevistou, para sua dissertação de mestrado “Organizações e carreiras sem fronteiras - a percepção de formandos sobre a tendência nas exigências profissionais”, pelo Instituto de Psicologia da USP, 249 alunos do último ano da faculdade, com idade média de 23 anos. São estudantes de Administração, Ciências Contábeis, Direito, Engenharia, Psicologia, Comunicação Social e Processamento de Dados de universidades públicas e privadas de São Paulo.

Segundo Joyce, a escolha por esses cursos se deve ao fato de que são eles que mais têm exigido transformação por parte dos profissionais. A pesquisa de Joyce mostra que os formandos não tomam atitudes que os preparariam para o mercado de trabalho. Pela pesquisa, muitos jovens acreditam que a especialização é o melhor caminho, embora essa idéia não seja tão aceita atualmente.

‘Hoje as organizações não são mais departamentalizadas, onde cada um só faz sua especialidade. Como os formandos vão exercer múltiplos papéis se estão presos a um único enfoque e não vão atrás de atividades complementares?’, pergunta Joyce. Mas a culpa, acredita ela, não é dos estudantes. A responsabilidade pela falta de mobilização é dos pais e das próprias instituições de ensino.

Para Joyce, as instituições estão muito voltadas para a formação específica, em nada se assemelhando às novas organizações. ‘Não preparam os jovens para a carreira autogerenciada, já que permanecem com cobranças externas, não trabalhando a cobrança interna do indivíduo e nem incluindo na grade curricular disciplinas voltadas para a orientação do profissional, diz Joyce. Os pais, por sua vez, deveriam estimular os filhos a buscarem a independência.

Veja os números levantados por Joyce:

82% consideram a especialização muito importante
78% acham muito importante dirigir seus interesses para um único enfoque
90% dos formandos consideram importante dominar um segundo idioma, mas apenas 60% falam outra língua
 apenas 35% estavam estagiando
1,2% admitem nunca ler livros
 livro só é parte do cotidiano de 28% da amostra
 67% vão a museus e exposições raramente ou nunca   

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Esta matéria foi originalmente publicada na revista Vitória! Jovem.

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