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FMI pressiona Argentina
para pôr fim à conversibilidade O ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, disse a líderes empresariais argentinos que o FMI está pressionando o governo a abandonar o regime de conversibilidade e adotar o câmbio flutuante. De acordo com o jornal Clarín, Cavallo fez tal afirmação no domingo passado, durante reunião com 13 líderes empresariais; cinco deles, segundo o diário, confirmaram o teor das declarações do ministro. O Ministério da Economia divulgou nota negando a pressão do Fundo pela desvalorização e destacando o respeito do organismo pela soberania da Argentina. O FMI e o vice-secretário do Tesouro dos EUA para Assuntos Internacionais, John Taylor, receberam uma carta dos credores da Argentina pedindo tratamento justo na reestruturação da dívida do país. Eles se disseram frustrados com o que afirmam ser um tratamento preferencial dado aos investidores locais. O risco do país voltou a fechar em alta nesta terça. A taxa encerrou o dia em 29,01 pontos percentuais, um avanço de 4,7%. No fim de semana passado já havia rumores de que o Fundo estaria a pressionar o governo De la Rúa a mudar o modelo econômico. Autoridades do FMI estão em Buenos Aires para avaliar as contas do governo que, sabe-se, não fecharão o ano conforme havia sido combinado com o organismo. Segundo o Clarín, durante uma reunião recente no Canadá, a vice-diretora-gerente do Fundo, Anne Krueger, teria dito a Cavallo acreditar que a Argentina "precisa acabar com a conversibilidade e entrar no regime de flutuação, de modo a começar a resolver definitivamente seus problemas". As relações entre a Argentina e o FMI, segundo o próprio ministro, estão "complicadas", e a negociação para a liberação de US$ 1,26 bilhão, iniciada na segunda, pode se arrastar. O governo argentino tenta conseguir o dinheiro para fechar suas contas, embora não tenha conseguido cumprir as metas impostas pelo Fundo em agosto. O déficit fiscal deve estourar em US$ 1,3 bilhão a meta de US$ 6,5 bilhão acordada com o FMI. Na segunda, o governo recebeu as ofertas dos fundos de pensão para troca da dívida local. Os números fechados, segundo o Ambito Financiero, revelam que a operação atingirá os US$ 40 bilhões previstos pelo Ministério da Economia. No plano externo, no entanto, a situação é mais delicada. Segundo a Agência Estado, os credores externos estão rejeitando os termos da proposta de troca da dívida. "A garantia de pagamento com a arrecadação de impostos, oferecida na troca local, não tem valor para os estrangeiros", disse uma fonte. O comitê está escolhendo uma firma de advocacia para atuar como conselheira financeira e para representar o grupo em uma possível ação judicial contra o governo argentino, informa a Dow Jones. Para evitar problemas com os credores, o governo anunciou, por meio do vice-ministro da Economia, Daniel Marx, que, na segunda etapa da troca, os investidores terão várias opções de novos títulos, que, à diferença dos empréstimos locais, contarão com a liquidez apropriada a esses papéis. O banco central da Argentina (BCRA) decidiu impor um teto para as taxas de juros que os bancos pagam sobre os depósitos. A medida não agradou os analistas. Eles disseram que, pela primeira vez, o presidente do BCRA, Roque Maccarone, tomou uma decisão que vai contra as regras de abertura do mercado e que, a medida pode provocar a fuga de depósitos. "Avaliamos essa medida de forma negativa, uma vez que provavelmente irá encorajar nova fuga de depósitos ao final do vencimento", disse o Credit Suisse First Boston em seu boletim diário. O BCRA estabeleceu uma taxa referencial semanal para os depósitos em dólar e pesos, tomando como base a média das taxas de mercado para depósitos de 30 a 59 dias. Bancos que cobrarem mais de um ponto percentual acima da taxa de referência para depósitos de prazo fixo ou mais de 0,5 ponto percentual acima da taxa para contas correntes e poupança estarão sujeitos a uma reserva obrigatória mínima de 100%
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