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O euro,
você e o dólar
(Roberto Macedo, 03/01/2002)
O euro passou a circular na virada do ano, como moeda nacional e
internacional ao mesmo tempo, em 12 países da União Européia. Li sobre
o assunto, e aqui vai o que achei mais interessante e útil para nós,
brasileiros. No final, menciono uma importante fonte de informações
sobre o euro, a qual não vi citada na imprensa brasileira. A fonte é
européia e dá o recado em português, montada que foi para Portugal, um
dos países onde o euro passou a circular.
E onde mais?
Os outros onze são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, Grécia,
Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo e Portugal. Os três outros membros
da União Européia, Dinamarca, Reino Unido e Suécia, preferiram ficar de
fora, por questões de tradição e política. Há também uns países miúdos,
sob influência de alguns desses grandes, onde o euro foi adotado: Mônaco,
San Marino e Vaticano, entre outros.
Euro simplifica o câmbio entre países
Se você já viajou pela Europa, deve se lembrar do problema das
diferentes moedas entre países. Os brasileiros em geral levavam dólares,
e lá trocavam por marcos, liras ou francos, entre outras, sempre pagando
uma comissão, às vezes absurda, de até 5%, nos bancos e casas de câmbio.
Ao sair de um país, sempre sobrava um pequeno troco, em geral inútil.
Quando sobrava muito, trocava-se novamente pela moeda do próximo país,
ou voltava-se ao dólar. E tome comissão em cima de comissão. Agora,
isso acabou. Se você viajar por esses países, leve euros, já disponíveis
em cheques de viagem.
Mas, qual é a cara do euro?
Um dos problemas do euro é que seus usuários precisam conhecê-la. O dólar
é muito conhecido, desde a nota de US$1, com a figura de Washington, até
a US$100, com Franklin estampado. O euro tem sete notas, começando com 5
euros - que vale US$4,4, até a de 500 euros, que vale US$440. Esta vale
tanto que é melhor não carregar. Além do risco, vai ser difícil trocá-la.
E há também oito moedas, de 1 e 2 euros, mais frações em centavos. As
notas são comuns aos 12 países, sem personalidades nacionais, para não
causar ciumeiras. Ostentam números em faces comuns, mas no verso aparecem
personalidades ou um símbolo nacional do país onde são lançadas, mas
mesmo assim circularão por todos os 12 países.
Novidade vem com risco de falsificação
Como o euro ainda é pouco conhecido, há o risco de falsários
aproveitarem a oportunidade para colocar o produto de sua própria impressão.
Por isso, segundo a revista "The Economist" (22/12/01) houve a
cautela de só colocar os euros em circulação no dia 1º de janeiro, sem
que fossem mostrados antes, evitando, assim, dar tempo aos falsários para
se prepararem. E vários outros cuidados: a campanha publicitária de lançamento,
o uso de papel especial com marca d'água e um fio de segurança, mais uns
8 pontos de identificação para o usuário, algumas características para
os caixas automáticos distinguirem as falsas, e outras características
nem mesmo divulgadas, só de conhecimento dos bancos centrais dos 12 países,
para eventual identificação de notas falsas.
Com os avanços nas técnicas de impressão e sua popularização via uso
de computadores, a falsificação também avançou. A mesma revista estima
que 3% das notas dos países da Europa Ocidental são falsas, e que podem
ser falsos 30% dos dólares que circulam em países fora dos EUA. Cuidado,
portanto, com as "verdinhas" e muita cautela no uso do euro.
Euro X dólar
Para os brasileiros, uma questão que se coloca é o da relação entre
euro e dólar. Não sou chegado ao tal "investimento em dólares",
por conta dos riscos envolvidos, e pelo tempo que me ocuparia a buscar
informações e a tomar decisões. O euro é uma complicação a mais.
Quando foi lançado para referência e transações eletrônicas, em
1/1/99, ele valia US$1,16. Hoje, caiu para US$0,88. Há quem diga que está
baixo, e que será um concorrente respeitável para o dólar. Afinal, são
300 milhões de cidadãos nos 12 países, com um PIB total só suplantado
pelos EUA. É também um grande projeto político, de integração de
nacionalidades, para facilitar também a integração econômica, e
adquirir maior status mundial.
Ainda é cedo, contudo, para avaliar resultados. Se você pensa em guardar
euros não apenas para viagens, lembre-se que estamos na área do dólar
e, para começar, será preciso que os brasileiros conheçam também a
moeda, tal como hoje conhecem o dólar, para o euro ter a mesma liquidez.
"Euro: a NOSSA moeda"?
Se você quer saber mais sobre o euro, recomendo o portal www.euro.ecb.int,
do Banco Central Europeu. Como Portugal também adota a moeda, você pode
optar por informações em Português. Vale a pena. Tem de tudo, inclusive
informações para "cegos e amblíopes", seja lá o que for amblíope,
pois estou sem dicionário. Há também informações para crianças,
inclusive jogos de familiarização.
No meio da consulta, você lerá: "Euro: a NOSSA moeda". Caindo
"no real", ela não é nossa, mas de outros e dos portugueses,
aliás muito felizes com ela. Entre outros aspectos, elimina o risco de câmbio
para, por exemplo, alemães que têm investido no país.
Mesmo sem ser nossa, é preciso conhecer o euro, e aprender com ele. E
fico a sonhar com o "latino", ou que outro nome tenha uma moeda
comum para nossa região. Esta tem menos história e mais geografia que
esses 12 países. Por isso mesmo, há ainda muito chão pela frente, mas a
tendência é caminhar na mesma direção.
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Roberto Macedo, bb.com.br
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