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Crime organizado contra
o PT A direção nacional do PT ainda não tem uma avaliação fechada sobre os assassinatos de prefeitos e as ameaças contra parlamentares do partido, mas não tem dúvida de que está diante de um problema gravíssimo. Os petistas descartam qualquer possibilidade de que os crimes sejam obras do acaso ou tenham causas aleatórias, do tipo "Celso Daniel foi seqüestrado porque a Pajero em que viajava chamou a atenção dos bandidos" ou "Toninho do PT foi morto porque foi confundido com outra pesssoa". O partido está convencido de que está sofrendo um ataque planejado, que visa à eliminação de seus principais quadros, com o objetivo de intimidá-lo e paralisar seu crescimento. A avaliação é de que a escolha de Daniel e Toninho foi feita a dedo. Os dois não só comandavam cidades importantíssimas, Santo André e Campinas, com grandes orçamentos e formidável efeito-demonstração na população, como, junto com Antônio Palocci, prefeito de Ribeirão Preto, representavam a nata da nova geração de dirigentes do PT no estado. O baque foi grande. O comando do partido está seguro de que o crime organizado e a "banda podre" da polícia estão na origem dos atentados. O raciocínio é de que, de um modo geral, as administrações petistas vêm trombando com esquemas mafiosos poderosíssimos, com interesses nas mais variadas áreas, como negócios imobiliários escusos, licitações arranjadas, compras superfaturadas, contravenção e jogo do bicho, ou desvio de dinheiro por meio de clubes esportivos, entidades educacionais e organizações sociais de fachada. Além disso, enfraquecem a influência do narcotráfico sobre as populações de baixa renda ao desenvolver programas sociais nos bairros mais pobres. Tudo somado, o PT mexeu em vespeiros monumentais. Daí a reação furiosa do crime organizado, que pode movimentar uma legião de bandidos pés-de-chinelo, mas é comandado por redes de gente graúda: empresários, delegados de polícia, oficiais da PM, parlamentares, juízes etc. O comando do partido não descarta a hipótese de que grupos de extrema direita tenham se associado ao crime organizado nos recentes assassinatos. Há algum tempo, o PT trabalha com a informação de que ex-integrantes dos órgãos de segurança participam de atividades criminosas no Estado de São Paulo. É possível que, de alguma forma, eles estejam envolvidos nos atentados contra os prefeitos de Santo André e Campinas. Mas essa é apenas uma hipótese de trabalho. Ainda carece de comprovação.
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