|
|
Na Argentina os
dólares fugiram de avião Foi, literalmente, aquilo que pode se chamar de fuga de capitais. Nos últimos dias de novembro, quando a crise argentina começou a avançar para o estágio de crise institucional que levouà queda do então presidente Fernando De la Rúa, houve um inusitado tráfego de transporte de valores entre o centro financeiro de Buenos Aires e o Aeroporto Internacional de Ezeiza, distante 35 quilômetros. A Argentina já vivia a rotina dos protestos de rua na cadência das panelas vazias - o panelaço, uma espécie de batucada coletiva com a qual a classe média passou a marcarsuas manifestações de protesto em todo o país. Os argentinos sequer desconfiavam, mas o então ministro da Economia Domingo Cavallo já decidira promover o confisco bancário. Enquanto cresciam as manifestações de rua, num único dia, 350 carros-fortes viajaram até o aeroporto de Ezeiza. Levaram uma fortuna em dólares ainda não calculada. O dinheiro foi embarcado em aviões e remetido ao exterior, denunciou o deputado peronista Franco Caviglia. ''Foram caminhões pertencentes a empresas líderes do mercado'', contou. ''Eles chegaram ao aeroporto e retiraram do país, entre os dias 20 e 30 de novembro, uma grande quantidade de dinheiro'', disse. O deputado protocolou um pedido de investigação no Banco Central da Argentina na alfândega local. Quer que sejam revelados os bancos e instituições financeiras responsáveis pelo envio de divisas ao exterior antes da imposição do confisco bancário. Caviglia descobriu a manobra durante uma série de investigações prévias à instalação de uma comissão na Câmara para investigar a fuga de capitais do país em 2001, que teria chegado a US$ 20 bilhões. A comissão pretende analisar o comportamento dos bancos e dos órgãos estatais responsáveis pelo controle do envio de dinheiro ao exterior no ano passado. A maciça saída de recursos em 2001 é uma das justificativas do governo argentino para a manutenção do corralito imposto no início de dezembro passado e que desencadeou a onda de protestos da população. A polícia federal da Argentina indiciou bancos estrangeiros e empresas transportadoras de valores como parte de uma investigação sobre a maciça fuga de depósitos no ano passado, que pôs em risco o sistema financeiro e obrigou o governo a restringir a retirada de depósitos bancários. "São vários os procedimentos que estão sendo realizados nessa investigação", disse a jornalistas o juiz responsável pelo caso, Norberto Oyarbide. O Congresso também vai instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso
Os textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores ou fontes e podem não expressar a opinião da Economiabr.net
|
|
|
|
|
|
|