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Raio-X sobre os padrões da TV Digital
(Acessocom, 2003-07-07)

Desde o momento em que o debate sobre a digitalização da comunicação eletrônica de massa tornou-se público no Brasil, em 1998, a discussão sempre foi focada nos três padrões de transmissão digital oficialmente existentes.
Consumidores e empresas experimentavam o lançamento dos serviços de TV aberta desenvolvidos pelos consórcios Digital Video Broadcasting (DVB), na Europa, e Advanced Television Systems Committee (ATSC), nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, os japoneses testavam na TV paga a tecnologia Integrated Services Digital Broadcasting (ISDB), que só será lançada comercialmente na TV aberta em 2003. "Há uma série de definições necessárias para que um televisor funcione: como receber o sinal das emissoras e transformá-lo num fluxo contínuo de bits, como dividir esses bits nos diversos programas de TV e interpretar os serviços e, finalmente, como decodificar a imagem e o som de cada programa ou serviço", resume a revista "Exame". Dependendo do padrão escolhido, haverá mais espaço para mais ou menos programas e oferta de serviços interativos, como acesso à internet, troca de e-mail e compras pela TV.

Conforme a publicação, com poucas diferenças entre si as plataformas de transmissão digital envolvem muito mais uma guerra comercial geopolítica do que um simples repasse de tecnologia. "Só há outros seis países no mundo com TV Digital aberta funcionando. Por que, então, a pressa", indaga a publicação na reportagem de capa. A resposta está em um texto da revista "CartaCapital": "A implantação da TV Digital não vai afetar apenas o modelo
de negócios das emissoras e o processo de produção dos fabricantes, mas a economia como um todo e, sobretudo, o bolso dos consumidores". Com o preço de uma TV Digital em torno de US$ 1,7 mil (ou sua alternativa temporária, o decodificador, por US$ 300), convencer o País a trocar 62 milhões de aparelhos receptores sem um bom argumento pode ser uma aposta de negócio arriscada.

Comparações de "Exame"

Visto de perto, cada padrão tem suas vantagens e desvantagens. O europeu DVB é o "mais difundido"; "tem os conversores mais baratos: de 150 a 450 dólares"; "atende os três tipos de transmissão" (alta definição, definição
avançada e definição padrão). Ao mesmo tempo, foi "criado por um consórcio de 250 entidades de mais de 15 países, o que dificulta a negociação de contrapartidas"; "tem deficiências de recepção" (apresentou problemas na
Inglaterra). De acordo com "CartaCapital", possui um mercado potencial de 270 milhões de aparelhos. Conforme "Exame", o japonês ISDB - "o preferido das redes de TV - "é o mais flexível; eleito o melhor nos testes técnicos
das empresas de radiodifusão; eficaz para TV móvel e portátil". Em compensação, diz a revista, possui "pouca adoção". Além disso, a "balança comercial Brasil-Japão é a mais fraca em ofertas de contrapartidas comerciais". Poderia atingir, atualmente, 100 milhões de receptores. O americano ATSC é apresentado pela revista como "o melhor em possibilidade de contrapartidas comerciais"; "apresenta bons resultados em consumo de energia
e na exibição de alta definição". Por outro lado, é "controlado pela Zenith, da sul coreana LG, que não abre mão do pagamento de 'royalties'"; "a dificuldade de recepção tem atrasado a adoção nos Estados Unidos"; "não
oferece a possibilidade de televisão móvel e portátil". Em compensação, tem um dos maiores mercados potenciais: 267 milhões de televisores.

Histórico movimentado

Até o ano 2000, o ritmo da definição brasileira era ditado pelas emissoras de TV. Conforme noticiou "AcessoCom", a primeira consulta pública aberta pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi centrada em um teste
técnico comparativo entre os três padrões realizado desde 98 por um grupo formado pela Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações (SET). Na conclusão do trabalho, o grupo indicava o padrão japonês e recomendava o europeu também seria satisfatório. O governo repassou a tarefa de elaborar um estudo para a Fundação CPqD. Apresentado em mais de 600 páginas, o trabalho encomendado confirmou a reduzida diferença de tecnologia entre os padrões e reforçou a suspeita que tão importante quanto o padrão era a escolha do "modelo de negócios" (quantas programações
em um mesmo canal, tipos de conteúdo e resolução da imagem). A partir daí, o ritmo da decisão passou a ser desacelerado.

Projeto chinês

No início de agosto de 2002, a revista "CartaCapital" incluiu um novo elemento no debate. Trata-se do padrão Digital Multimedia Broadcast (DMB), em desenvolvimento pela Tsinghua University, a mais respeitada universidade
chinesa de tecnologia, e a empresa norte-americana Legend Silicon. Conforme a revista, em 2001 a agência reguladora do governo chinês "submeteu a UIT (União Internacional de Telecomunicações) às linhas gerais do DMB". Indagado pela publicação, o ministro das Comunicações, Juarez Quadros, afirmou desconhecer a plataforma chinesa. "'Creio que o ministro não está a par dos avanços do padrão DMB. Segundo os testes, já superamos o DVB europeu na maioria das categorias, como a recepção em celulares'", rebateu o presidente da empresa, Lin Yang. "Se o padrão chinês for implementado com sucesso e for incorporado 'a UIT no final de 2003, pode ganhar credibilidade e começar a ser considerado pelos governo do mundo", ressalta "CartaCapital".

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( Acessocom, 2003-07-07)

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