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Qual será o próximo obstáculo à consolidação do Mercosul?
(Ana Carolina Costa Morais, 2002-03-19)

Embora nos últimos anos a variação cambial seja o principal fator questionado e criticado no que diz respeito ao comportamento do comércio entre o Brasil e a Argentina, a taxa de câmbio não é o único fator determinante no saldo da balança comercial entre os dois países e muito menos o mais importante. Embora políticas cambiais afetem com grande eficiência  o comércio na medida que fazem com que os produtos se tornem mais caros ou mais baratos, existem diversos fatores que afetam o comércio bilateral de maneira tão ou mais significativa do que a taxa de câmbio em si, como por exemplo a capacidade produtiva, incentivos a exportações e a taxa de crescimento do país em questão.

Além disso, pode-se comprovar que as variáveis que afetam as transações entre os dois países não necessariamente serão as mesmas para ambos, devido as diferentes características que as duas economias possuem e as suas diferentes vantagens comparativas. Além do que a resposta do mercado não é imediata, o comportamento do comércio leva um tempo para se ajustar às mudanças políticas e econômicas.

Depois que a crise argentina for superada, e o país conseguir voltar a normalidade econômica, alguns economistas e políticos já não poderão utilizar a taxa de câmbio como principal motivo do péssimo desempenho que algumas indústrias argentinas nos últimos anos e como motivo para não respeitar os acordos tarifários do Mercosul. Enquanto os argentinos não enxergarem que a integração e a consolidação do bloco é beneficiosa para ambos países, e não uma disputa bilateral, o Mercosul continuará na corda bamba. 


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Ana Carolina Costa Morais, é economista formada pela PUC -MG e estudante do último ano do mestrado em Relações Internacionais da UBA  Universidad de Buenos Aires
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