O Sistema de Pagamentos
Brasileiro e os negócios na Internet (Andre Ferrari de Aquino, 2001-11-04)
Qual a relação entre esses dois assuntos? Sob uma ótica superficial,
nenhuma, mas uma análise um pouco mais rigorosa é capaz de estabelecer
uma forte ligação entre eles. E quais serão os impactos da reformulação
do Sistema de Pagamentos Brasileiro para os negócios na WEB?
O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) é o conjunto de instrumentos,
regras e procedimentos que, integrados, são usados para transferir fundos
entre diversos agentes da economia, garantindo operações de crédito e débito
para operações entre bancos, empresas privadas, governo e pessoas físicas.
Esse sistema é regulado pelo Banco Central e sofre de uma série de
problemas que estão sendo resolvidos por meio da Lei 10.214, de 27 de março
de 2001, que regulamenta o novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB2). O
SPB2 estará em operação com regras finais em janeiro de 2002 e, embora
não percebidas pelo cidadão comum, suas diretrizes fortalecerão o
sistema financeiro, reduzindo a possibilidade de risco no mercado e,
conseqüentemente, permitirão maior atratividade para o capital externo,
além de ganhos na eficiência da economia.
Bem, e o que isso tem a ver com negócios na Internet? Permitam-me, então,
entrar naquela “sopa de letras” que faz parte do jargão tecnológico.
O E-commerce (Comércio eletrônico) tem sido sinônimo de compra e venda
pela Internet. Durante o amadurecimento do E-commerce, percebeu-se que,
geralmente, a relação entre empresas em uma operação
business-to-business (B2B) durava apenas o suficiente para se finalizar a
transação comercial. Agora, estamos em uma fase “pós-amadurecimento”,
evoluindo para um conceito chamado C-commerce (Comércio colaborativo). O
C-commerce é, talvez, a forma mais avançada de B2B. O C-Commerce procura
a interligação de sistemas e fluxos de negócios entre clientes,
parceiros, fornecedores e instituições financeiras, possibilitando uma
transação comercial com menos riscos, a redução de custos e o aumento
da duração do ciclo de negócios.
De fato, o C-commerce irá integrar os diversos parceiros dinâmicos que
fazem parte do relacionamento comercial de uma organização. Mas, o maior
avanço do C-commerce é a integração de sistemas financeiros, como
fluxos de caixa, entre as empresas. Imagino o C-commerce na sua forma mais
futurista integrando empresas e parceiros em uma empresa virtual de
reconhecimento único perante a instituição financeira. A empresa
virtual fará a sincronização de suas operações diariamente e utilizará
novas opções oferecidas pelo SPB2 como a Câmara Interbancária de
Pagamentos para transferir fundos de crédito entre os participantes no
mesmo dia. Imagine uma empresa virtual com dois parceiros “A”, “B”
e um fornecedor “C”. Ao final do dia verifica-se que “B” deve R$
200.000,00 para “A” e R$ 100.000,00 para “C” e que “A” também
deve R$ 200.000,00 para “C”. Essas 3 operações podem ser reduzidas a
apenas uma: um único débito financeiro de R$ 300.000,00 em “B” para
crédito em “C”. Esse débito seria realizado “on-line”,
utilizando as novas indumentárias do SPB2 e também os princípios de
integração do C-commerce. Imagine o quanto não lucrou a empresa “A”
somente com o não pagamento da CPMF sobre os R$200.000,00 devidos a
“C” mas não debitados por causa da integração de processos
financeiros entre parceiros da comunidade colaborativa à qual ela
pertence.
Enfim, esse é apenas um pequeno exemplo das conseqüências, a meu ver
muito positivas, que a nova regulamentação do Sistema de Pagamentos
Brasileiro trará para os negócios na Internet a partir de janeiro de
2002. Veremos mais dinamismo, segurança e agilidade nos negócios B2B, na
medida em que as empresas comecem a trabalhar de forma mais interativa no
âmbito financeiro. Os negócios business-to-consumer (B2C) também serão
afetados, mas isso, nobre leitor e leitora, já é assunto para o próximo
artigo.
________________ André Ferrari de Aquino é
consultor da Openwave INC., bacharel em Ciências da Computação pela
Universidade Estadual Paulista e o MBA em Gerência de Projetos pela Fundação
Getúlio Vargas. Com experiência em grandes organizações, como Banco
Central, Brasil Telecom e Sun Microsystems, também ministra palestras
sobre Gestão Empresarial e Tecnologia da Informação, além de produzir
conteúdo digital para o grupo Catho, site Venda Mais e jornal Valor Econômico. Outros artigos do autor