» Opinião

Um Salto Para o Futuro. Uma mudança de civilização.
(Arlindenor Pedro de Souza, 2002-04-08)

Parte I   Parte II

As estatísticas nos dizem que, atualmente, a população economicamente ativa no Brasil está em torno de 71 milhões de trabalhadores. A escolaridade média desta população é de 3,8 anos, enquanto a da Argentina é de 8,7 anos, da Coréia do Sul de 11 anos e os países do primeiro mundo, de 12 anos. Estas mesmas estatísticas nos dizem também, que as pessoas analfabetas ou subescolarizadas que ocupam postos nos empregos, somam, no Brasil, a faixa dos 10 milhões, e que os analfabetos adultos, os analfabetos funcionais e as crianças analfabetas, sem escolas, chegam aos 167 milhões. Poderíamos dizer, com dados reportados ao ano de 1997, que de cada 100 crianças que ingressarão na escola, 56 não concluirão o ciclo básico, 80 não chegarão ao secundário e 95 não entrarão na faculdade em 2008. Isto num quadro onde o Brasil gasta atualmente 4% do PIB em educação, enquanto a Coréia gasta 4,5 %, e os EUA 7,5%. Nos próximos anos, portanto, o Brasil terá uma população com idade média maior, com baixo índice de escolaridade: teremos uma grande quantidade de jovens desqualificados, uma grande quantidade de adultos inadaptados às novas necessidades de trabalho, elevados índices de desemprego e grande índice de idosos pressionando a seguridade social.

Temos que admitir o problema para superá-lo.

Nenhuma nação conseguiu superar a crise do subdesenvolvimento, sem um esforço concentrado para  superá-la. Assim foi com a Coréia do Sul, que deu um salto rumo ao desenvolvimento, saindo do estágio de nação pobre, através da concentração de todos em busca daquele objetivo, embora tivesse saído de uma guerra em que teve o seu território partido em dois. O mesmo já tinha acontecido com o Japão, após a segunda guerra, e com a Alemanha. Sempre, nestes casos, a componente educação esteve presente. Estas nações dirigiram seus esforços na preparação de seu povo para esta nova era. Vemos isto acontecer, atualmente, com a China, com Cingapura, com a Irlanda e muitos outros países. Em recente estudo publicado pela Janela na Web, verificamos, inclusive, que as pequenas nações têm se ajustado mais a esta nova realidade, concentrando seus esforços na produção do conhecimento.
Se olharmos para o Brasil e compará-lo com outras nações, fica claro, então, que precisamos redirecionar nossos esforços para que a Universidade possa ser um instrumento real de formação do conhecimento, que este possa produzir valor e enriqueça a sociedade, pois ainda é muito baixa a produção científica em nosso país, e baixo também o número de doutores que desenvolvem idéias que agregam valor aos nossos produtos.

Uma mudança de paradigmas.

Trata-se, na verdade, de uma corrida contra o tempo. O Brasil precisa parar para refletir, assim como parou em alguns momentos cívicos, e voltar-se totalmente para esta tarefa. O nível de exigências do mercado global determina a existência de empresas mais competitivas, com outro tipo de trabalhador, mais eficiente, mais motivado, mais flexível. O esforço concentrado do governo e dos empresários nesta direção, é que irá alterar os números que analisamos, levando ao desenvolvimento e à ruptura do imenso fosso social montado nas nossas entranhas, que não permite que o país avance. Para superarmos este desafio, é importante utilizarmos todos os meios disponíveis, inclusive aqueles que a tecnologia coloca a nossa disposição.

O Ensino à  Distância pode ser um destes instrumentos, mormente num país de dimensões continentais como o Brasil. Somente sistemas de ensino tradicionais não conseguirão solucionar os problemas no curto prazo que queremos, pois ampliar sua abrangência implicaria em altos custos de infra-estrutura; demandaria tempo para preparação adequada de recursos humanos e esforço concentrado de toda a sociedade. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) inovou, pois previu a possibilidade de ter a Educação à  Distância como estratégia. ”A educação à distância se justifica e se impõe como uma boa estratégia para ensino no Brasil, tanto a curto, como a médio e longo prazo”, nos diz a Conselheira Sylvia Figueiredo Gouvêa, do Conselho Nacional de Educação, no seu trabalho “Subsídios para a formulação de diretrizes para a educação à distância no Brasil.  Segundo ela, “existem vários segmentos que seriam diretamente beneficiados com esta estratégia. Como por exemplo, poderemos citar os professores, que teriam acesso aos  programas de educação continuada e de capacitação em serviço, os trabalhadores e a população adulta desempregada, que poderiam completar a escolaridade, participar de programas de re-profissionalização e que teriam, dessa forma, garantido o direito à cidadania”.

Para ela “a Educação à  Distância pode significar aquela que o indivíduo precisa, no momento em que dela necessita, no lugar onde a pessoa se encontra e ao custo menor possível. Isto quer dizer democratização da educação, possibilidade de reduzir as diferenças educacionais devido à pobreza e ao subdesenvolvimento regional. Mas também quer dizer atualização de saberes e de fazeres, desenvolvimento do hábito de estar sempre estudando e possibilidade de ser um cidadão atuante na sociedade da informação.

A aplicação efetiva do Plano Nacional de Educação, que teve a duração de dez anos, a partir da vigência da Lei que o criou,  pode ser um passo decisivo na inserção do Brasil na Nova-Era. Ele  prevê diversas estratégias, inclusive a do ensino acoplado às  novas tecnologias, como forma de superarmos o atraso  nesta área. Ele não é um plano ideal, mas  sem dúvidas é  o que de mais avançado temos e que pode efetivamente dar resultados, se vier acompanhado dos recursos necessários para a sua implementação, não cumprindo o caminho de diversos planos no Brasil que são muito bons...mas ficam somente no papel.

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Arlindenor Pedro de Souza, http://www.newageconsultores.com.br 

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