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Será o inicio do fim...?
(José Candido de Avelar Neto, 2001-10-14)

Com o ataque do dia 11, os EUA não foram os únicos a perder, a perda maior ainda é dos EUA, mas com certeza todo o mundo perdeu e muito com isso. As perdas foram várias, de várias naturezas, da financeira à humana, a maior e única irrecuperável, mas os EUA perderam algo muito importante, a credibilidade.

Os Norte-Americanos tinham perante o mundo uma imagem de indevassável, porto seguro mundial, e o mundo os viam como um pai, aquele pai forte que protege seus filhos a qualquer custo, mas que também muito cobra. O mundo ao perceber sua fragilidade, perde a confiança que tinham, assim como um filho ao ver o pai derrotado.

Desde a criação do mundo, há divergências ideológicas entre seres-humanos,  tome como exemplo a passagem Torre de Babel, sempre tivemos nações brigando entre si, e com outras por ideologias diferentes, e todo o processo de transformações do mundo foi movido a brigas e revoltas ideológicas.

Brigas ideológicas são responsáveis por todas as transformações ocorridas no mundo desde sua ocupação.

Comecemos pelo Colonialismo, onde uma nação era considerada mais forte quando possuía um grande número de colônias sob seu domínio, nesse período as nações se lançavam ao mar em busca de novas terras por acreditarem que seriam mais respeitadas e mais fortes, sustentaram essa idéia – entenda-se ideologia – por muito tempo, até o ponto de não conseguirem mais justificar a existência desse sistema. Logo outra linha de pensamento tomou conta do mundo, a escravidão.

A escravidão foi marcada pela forte opressão ao ser humano, acreditava-se na época e defendiam-na com várias ideologias que o fato de ser negro e pobre tinha uma justificativa, e que só ficaria rico quem trabalhasse muito, com esse pensamento sustentaram o regime por muito tempo, até que perderam forças e os negros impuseram as suas. Sem condições de sustentarem o sistema, a escravidão foi definhando até a sua “morte definitiva”. Novamente outra linha de pensamento tomou conta do mundo, foi a vez do Feudalismo.

Durante o Feudalismo, os senhores feudais, tanto nobres quanto da igreja, justificavam seu poder dizendo que Deus fez os ricos para que pudessem proteger os mais pobres; uma das ideologias usadas na época foi à chamada por HUNT & SHERMAN, em seu livro “História do pensamento econômico” de ética paternalista cristã, onde defendiam que os Srs. Feudais eram vistos como pais e os servos – pessoas que trabalhavam a terra nos feudos – como os filhos, como em uma família o pai é responsável pela casa, fornecem segurança, alimento e transmite confiança aos filhos, em troca os filhos lhe deviam fidelidade e obediência.

Durante esse regime, muitas outras teorias foram criadas, sempre com o intuito de justificar os fatos ocorridos e as opressões por parte dos Srs. Feudais, aos poucos outra linha de pensamento foi sendo defendida e tomando o lugar da atual, essa outra linha de pensamento mais urbano e centrado no comércio, nada tinha a ver com o feudalismo, o que exigiu um esforço muito grande por parte de seus seguidores para justificá-la, levando á criação de novas ideologias, assim surgiu o Mercantilismo, também encarado por alguns pensadores como o processo de transição para o Capitalismo.

Durante o Mercantilismo muitas mudanças ocorreram, muitas ideologias foram criadas e assim foi sendo sustentado durante bom tempo até que chegou a hora do tão falado, criticado e defendido Capitalismo.

Ao analisarmos o Capitalismo podemos notar que este é um dos sistemas mais criticados do mundo, e também o que mais sofre pressões por grupos contrários. Como todo sistema, seus seguidores ao longo do tempo vão fazendo mudanças e criando novas ideologias para poderem sustenta-lo.

Como todo sistema um dia perde força e acaba, dando lugar a outro, o capitalismo também um dia pode acabar, nada no mundo é eterno.

Um sistema só existe enquanto seus defensores conseguirem justificá-lo, portanto enquanto os EUA conseguirem justificar o Capitalismo ele existirá, fala-se EUA, por ser o país mais interessado no Capitalismo.

Ao demonstrar sua fragilidade, os EUA demonstra também a fragilidade do sistema, os terroristas ao atacarem os EUA, bastião do Capitalismo, certamente quiseram impor seus ideais, e mostrar ao mundo que o Capitalismo tem uma base, mas que essa base um dia pode cair.

Fato que comprova ser um ataque ideológico, é que ao atacar os EUA, os terroristas tinham muitos possíveis alvos, podendo matar muito mais pessoas, mas foram justamente em marcos do Capitalismo mundial, complexo World Trade Center (WTC), e o Pentágono, símbolo da fictícia segurança e inviolabilidade Norte-Americana.

Diante de todo o ocorrido, só nos resta perguntarmos, será isso tudo o início do fim do Capitalismo Mundial?

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José Candido de Avelar Neto, é graduando em Administração com ênfase em Comércio Exterior pelo Centro Universitário Nove de Julho , São Paulo/SP.
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