Desde que o homem-macaco percebeu que, ao invés do escambo, a moeda
facilitava a vida, a especulação e, de brinde, trazia poder, o Capital
virou deus e o homem parou no tempo. Tudo bem que o progresso material e
tecnológico tenha sido enorme mas, intelectualmente, continuamos ainda e
tão somente, um macaco habilidoso. A cada nova oportunidade que surge
para repensarmos nossos conceitos de humanidade e perspectivas de um
futuro inteligente, parece que o deus Capital arruma um jeitinho para nos
manter estúpidos.
Continuamos vendo o Mundo como símios deslumbrados, crentes de que a
habilidade de fazer castelos de areia vai conduzir todos nós à um futuro
maravilhoso. Todos nós? Bem, na verdade é fácil notar que o plano não
é exatamente para todos, mas apenas para os mais fortes e capazes. Essa
é a cantilena preferida do sistema. Premiar sempre o mais forte. Os
fracos que se danem. Pois é, quem sabe não foi este o raciocínio dos
fanáticos que mandaram outros fanáticos se jogarem com jatos sobre prédios
em Nova Iorque? Não! Eu sei que a correlação dos fatos não é bem
essa.
Atualmente, o poder econômico e o poder político formam uma peça única.
É difícil, senão impossível, distinguir uma coisa da outra. Por outro
lado, o Poder selvagem, concentrado em poucas mãos, excludindo a maioria,
só consegue justificar-se e manter-se às custas do controle das massas.
Este controle pode ser por meio da força, por meio da religião ou por
meio de técnicas midiáticas sutis. Trata-se de um poder insaciável que
suga tudo a sua volta. Neste cenário, o confronto entre os diversos
atores é inevitável. Longe de mim querer explicar os últimos
acontecimentos na América do Norte. Apenas entendo que reduzi-los à
simples insanidade é muito fácil, talvez até muito conveniente.
Mas são problemas seculares e multifacetados. A ingerência externa,
arrogante, imperialista e, porque não dizer, de má fé, só piorou
as coisas. E agora? Vamos reverter esse quadro ou permitir que o deus
Capital mais uma vez esconda a verdadeira face dessa terrível bomba
social que ele mesmo criou? Vamos tentar promover o progresso para todos
ou será mais fácil e lucrativo investir em maior controle das massas?
Vamos fazer a paz ou será que a guerra atende melhor os acionistas? Vamos
repartir riquezas ou permitir que a indústria da "segurança"
continue lucrando com o submundo do crime entrincheirado na miséria e na
ignorância?
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Cesar Boschetti é físico, com mestrado e doutorado na área de materiais semicondutores e dispositivos optoeletrônicos para o infravermelho. escreve regularmente críticas e crônicas para os dois principais jornais da região do Vale do Paraíba, além de publicações científicas em revistas especializadas nacionais e internacionais Outros artigos do autor