|
|
Um certo Walker e um tal
de Toninho Um parecia ser bronco e o outro parecia ser elegante, meio intelectual. A sempre faceira aparência iludiu-nos novamente e, de repente, mostrou a face subserviente de um certo Toninho que, sem precisar, fazia as vezes de vaqueiro empulhando sua sapiência em defender as vidas de uma certa região exaurindo milhares de outras em outras regiões. Dormentes em troca de vida. Já fizeram o mesmo na Índia. E a imprensa que a tudo acompanhava pensando nos dólares que viriam facilmente não se deteve; tomou logo partido, aliás, numa combinação também aparentemente alógica entre republicanismo e trabalhismo, travestindo os reais interesses capitalistas de soerguer a indústria bélica - de consumos estrondosos. Ajuda humanitária para conquistar um lugar perto do coração do Senhor João; amigo destes capitalistas nas horas mais incertas do mundo, mas sempre certas para quem busca a manipulação. Condeno o terrorismo, condeno os ataques de agora e condeno quem os apóia, porque a carnificina – e nisto Bin Laden tem razão, considerando que a tradução esteja correta – parece que só preocupa a humanidade quando ocorre em território do Tio Sam. A morte e a miséria que vagam de mãos dadas pelo planeta são alimentadas por guerras que nos ‘escravizam’, ou melhor, assalariam-nos. Afinal, quando isto acabar não teremos dizimado nenhum de nossos problemas. Muito menos o terrorismo que – repito – é uma ala à direita do capitalismo e não tem nenhuma relação com rupturas completas com este modo de produção. Não libertam deste modo just in time de viver sem apreender o tempo, mas sempre em busca da hora que se esvaiu. Criticar o Talibã de fato não é nada complicado, só pela opressão à liberdade de expressão - e a toda liberdade das mulheres – que é uma das muitas formas de se gerenciar uma ditadura já seria suficiente para exigir sua queda, mas vamos lembrar que a democracia do Tio Sam também não anda nada bem das pernas; recordemo-nos das últimas insanas eleições. Al Gore ganha entre a população, mas Walker assume porque mais representativo entre os parlamentares. Quer dizer que o voto do dito reino da democracia tem peso diferenciado ? É só para pensar. Além disso, deve-se considerar a praticamente existência de dois partidos. Dois partidos? Será que só existem democratas e republicanos? Não. E o que inviabiliza a existência de outros? É preciso estudar a legislação estado-unidense. Também é para pensar que em outros regimes, em outros países, a democracia (ainda que esta padeça por problemas estruturais, pois, mundo mais são será aquele em que não exista minoria insatisfeita. Quem sabe possamos construi-lo) sequer tem dimensão de realidade, e deve ser um verbete perdido em algum dicionário. Outro ponto, lembrado por alguns, é que em Washington há um detalhamento sobre a condução do golpe de 1964. Este golpe permite que uma dada revista brasileira escamoteie a inteligência alheia, publicando manchetes esdrúxulas e fazendo relações de tipo ideal que fariam inveja ao senhor Max Weber. (Digamos, grosso modo, que o tipo ideal consiste em selecionar apenas os elementos que vão contribuir para afirmação de uma tese; as contradições são esquecidas) É inadmissível que a imprensa se coloque defendendo os estados-unidenses e não faça uma crítica correta sem maniqueísmos idiotas. Não é o bem contra o mal. É um tipo de capitalismo contra outro que se utiliza de elementos também distintos. Um retalha pelo consumismo desenfreado; o outro emprega a religiosidade; ambos desejam o lucro. Também é importante pensar que o episódio do dia 11 de setembro não trouxe nenhum tipo de reflexão crítica aos estados-unidenses; ao contrário, penso que devemos tomar cuidado porque um novo tipo de tentativa de dominação ariana (ou seria texana?) pode vir a assolar o mundo. Nesse momento é bom que tenhamos pé na realidade para que não percamos um pouco das raízes que nos restam. E não se trata de combater xenofobia com mais xenofobia, mas de nos pouparmos de perder nossa identidade e nos tornamos ainda mais facilmente engolidos por esta globalização que só visa lucro a qualquer custo. Ah! Onde estão as provas convincentes que não podem tornar-se públicas? Será que foi algum técnico da Unicamp, o mais conhecido, que fez a análise do material. Vai sobrar para o finado PC Farias.
Os textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores ou fontes e podem não expressar a opinião da Economiabr.net
|
|
|
|
|
|
|