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Mais uma novidade: iSmell
Vivaldo
José Breternitz
Uma nova tecnologia deverá estar disponível ainda este ano, abrindo uma
nova fronteira para o uso dos computadores e da Internet: a iSmell (iAroma),
que permitirá a geração de aromas correspondentes às imagens que são
exibidas nas telas dos computadores.
Tal tecnologia vem sendo desenvolvida por uma empresa que existe há cerca
de dois anos, a DigiScents, baseada em Oakland nos Estados Unidos. Essa
empresa foi fundada por Dexster Smith e Joel Bellenson, que foram também os
fundadores da DoubleTwist, que forneceu software utilizado pela Universidade
de Colúmbia em suas pesquisas acerca do genoma humano.
Além de software para registrar e reproduzir fragrâncias, está sendo
desenvolvido um periférico a ser conectado ao computador do usuário, e que
será o responsável pela geração dos aromas correspondentes ao que é
exibido na tela - esse periférico será chamado iSmell, e terá o formato
de uma pequena caixa.
A idéia básica é que o iSmell abrigue um cartucho contendo os produtos
químicos básicos para a criação de aromas, que quando ativado pelo
software irá misturar esses produtos básicos, gerando a fragrância
determinada pelo software - pode-se fazer uma analogia com os cartuchos das
impressoras, que contém as cores primárias e as misturam formando um
conjunto muito grande de cores secundárias. Esses "aromas
básicos" serão cerca de cem, e poderão atingir a intensidade de um
purificador de ar doméstico, fornecido em aerosol.
A primeira utilização que está sendo considerada para a tecnologia é o
apoio ao comércio eletrônico: ao clicar na imagem de um produto, essa
imagem, que conterá na forma digital o código do aroma a ela associado,
"acionará" o iSmell que produzirá o referido aroma - assim, ao
"passear" por uma loja virtual, o internauta poderá sentir o
cheiro dos produtos ali oferecidos. Como curiosidade, temos sempre
perguntado a donas de casa e churrasqueiros de fim de semana se comprariam
carne de um supermercado virtual, sem poderem vê-la "ao vivo" e
apalpa-la, e a resposta tem sido quase sempre "não" será que
quanto ao aroma não acontecerá a mesma coisa?
Mas já se vislumbram outras aplicações - jogos eletrônicos, por exemplo:
um jogo de guerra poderia liberar cheiro de pólvora, da terra molhada, de
combustível dos tanques, etc; talvez nesse caso o cartucho poderia ser um
pouco mais barato, incorporando apenas os odores pertinentes ao jogo.
Também poderiam ser consideradas aplicações em publicidade via Internet,
como por exemplo, aroma de perfumes, bebidas, etc.
Bastante interessante é a estratégia comercial da DigiScents: além da
venda de software e do periférico, pretende vender os cartuchos, seguindo
os passos da Hewlett-Packard, que fez dessa uma de suas principais fontes de
receita; pretende também criar aromas que serão patenteados, sendo depois
sua utilização licenciada. Existe uma preocupação quanto ao preço
final, que deverá ser suficientemente baixo para viabilizar uma massa
crítica de aplicações suficientemente grande para gerar um efeito “bola
de neve”, tornando a aplicação da tecnologia viável do ponto de vista
comercial.
Embora já existam pesquisas acerca do assunto, é mais complexo, do ponto
de vista tecnológico, o próximo passo a ser dado: a criação de um “nariz
eletrônico”, que captaria aromas e automaticamente os codificaria na
forma digital, permitindo sua reprodução posterior.
De qualquer forma, é um novo campo que se abre, e como de costume, as
empresas que conseguirem se antecipar às demais, na utilização eficiente
da tecnologia, obterão vantagem competitiva considerável.
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| Vivaldo José Breternitz
(vjbreternitz@yahoo.com) é professor universitário e executivo de
instituição financeira. |
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Os textos aqui publicados são de
responsabilidade de seus autores e podem não expressar a opinião da
Economiabr.Net
Publicado em abril de 2001
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Vivaldo José Breternitz (vjbreternitz@yahoo.com)
é professor universitário e executivo de instituição financeira.
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