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A eficiência é a chave da sobrevivência empresarial
(José Armando Bueno de Almeida, 2002-02-15)

O mundo empresarial é um moto-perpétuo na geração de fatores estratégicos para a sua sobrevivência e garantia de desenvolvimento. A cada dia somos invadidos, e por vezes surpreendidos, com novas idéias, métodos, processos e um sem-número de soluções para o mundo corporativo-competitivo, muitas vezes deixando-nos atordoados e com a sensação de que o que estamos fazendo agora não servirá para daqui a pouco.

A premissa básica do moto-perpétuo empresarial parece ter buscado nos processos biológicos a sua síntese: são gerados incontáveis indivíduos, mas apenas os mais resistentes ou preparados vão sobreviver. Desde os pensadores e filósofos da Antiguidade até os da Atualidade, são gerados conceitos, propostas, idéias e estruturas que balizam o desenvolvimento dos negócios e da economia, mas apenas alguns pilares conseguem atravessar o tempo e a história para provar a sua validade ou transcendência.
Situo como um desses pilares, a questão da eficiência empresarial. Nos dias que correm, a eficiência vem consolidando o seu valor transcendente como fator estratégico para o mundo empresarial. Em diversos países os modelos de desenvolvimento competitivo e de inserção e consolidação de produtos e serviços nos mais diversos mercados, têm colocado a qualidade e a eficiência como fatores estratégicos para o sucesso empresarial, dentre outros.

Entretanto, entendo que é preciso separar a qualidade da eficiência nesse cenário aonde ambos os fatores parecem misturar-se formando um terceiro, diferente, qual café com leite. Isto pode gerar uma distorção de análise que, acredito, interfere na compreensão dos distintos processos empresariais. Vamos ver?

Primeiro, a qualidade é um dado intrínseco a produtos e serviços, portanto, tem relação direta e exclusiva com o que uma empresa produz. A qualidade é então um fator de sobrevivência do produto. Segundo, a eficiência é um dado intrínseco à dinâmica empresarial como um todo, e não apenas ao processo produtivo. A eficiência então é um fator de sobrevivência da empresa.
Bem, não é fácil distinguir conceitos e processos que possam ser identificados como pilares de sustentação da atividade empresarial, especialmente na velocidade da geração e difusão de idéias que temos experimentado desde a última década. Mas, entendo que a questão da eficiência é determinante sob diversos aspectos da estratégia empresarial. Isso porque a eficiência é transversal aos processos empresariais, estejam eles no topo ou na base hierárquica, na estruturação horizontal ou vertical dos negócios.

No Brasil, o maior entrave ao desenvolvimento empresarial e da nossa inserção competitiva no contexto internacional - excetuando-se a grave questão da excessiva tributação - é a questão da eficiência. Já atingimos plena competitividade em inúmeros produtos e serviços, através da qualidade, mas sem a eficiência não vamos a lugar algum no longo prazo.
A eficiência exige foco em três bases de um ciclo contínuo: fazer sempre melhor, mais rápido e/ou mais barato. Quando a atividade empresarial não consegue focar nesse ciclo em todas as suas atividades, não obtém vantagem competitiva. E mais: quando esse ciclo contínuo é muito intensivo, em um dado momento o resultado pode ser a geração/criação de um novo produto, de um novo serviço, ou de uma nova empresa ou ramo de negócio. Alguns estudiosos chamam isso de inovação, mas a célula de origem é a eficiência.

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José Armando Bueno de Almeida
Consultor de Empresas, Facilitador do Programa Empretec da ONU Organização das Nações Unidas, Doutorando em Diagnóstico e Avaliação pela Universidade da Coruña/Espanha.
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