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Proteger ou Liberar? Eis a questão.
(Leandro M. Caldas, 2003-05-26)

A sociedade de hoje passa e vive mudanças não somente políticas ou nas suas formas de governo, mas pôr mudanças estruturais muito profundas. Essas mudanças aparecem nas formas de consumo, nas formas de comportamento, nas formas de relacionamento e já tem alcance mundial uma vez que praticamente todos os países vivem uma nova fase.

As teorias e idéias de ontem estão ficando ultrapassadas e sendo descartadas sem que se tenha uma idéia do que se fará amanhã. "Na verdade, não estamos enfrentando a "nova ordem mundial" invocada com tanta freqüência pêlos políticos. Ao contrário, estamos enfrentando uma nova desordem mundial - pôr quanto tempo, ninguém pode saber."(Peter Drucker)

Na estrutura mundial ainda estamos enfrentando uma era pós estado soberano sendo que pôr longo tempo foi a política dominante. Existem novas forças políticas hoje, portanto, ainda não temos uma vivência com as mesmas para entendermos o que é benéfico ou maléfico para nossa sociedade. 

A grande falha de hoje e o que gera a incerteza mundial é que os políticos, diplomatas, cientistas políticos e escritores políticos agem e na verdade precisam agir baseado em fatos históricos, isto é, em fatos que já ocorreram em sociedades passadas. Até quando teremos que ser comandados pôr pessoas e órgãos que nem são do nosso conhecimento? Até quando teremos que seguir medidas e ordens impostas pôr países ou pessoas que nem estão ao nosso alcance? 

Nos últimos tempos um dos termos mais usados mundialmente é o da globalização. A globalização, que iniciou-se com a internacionalização da produção e do comércio, é um novo fato no mundo. Não existe dúvida de que a tecnologia, as comunicações e a economia conduzem a fazer do planeta uma unidade mais entrelaçada, complexa e inter-relacionada. Também é um fato que tal acontecimento tem efeitos em todas as áreas da vida social e, principalmente , na economia.

Sem dúvida que a globalização em si mesma é um progresso da qual ninguém poderá escapar e um processo irreversível. Porém ao aceitarmos esta constatação não se admite necessariamente que todas as suas conseqüências devem projetar-se em uma só direção, a qual, até agora, parece beneficiar basicamente a alguns países e prejudicar a outros. 
Liberalização comercial, fim das barreiras comerciais, dos subsídios, das barreiras técnicas e parceiros mais privilegiados. Nada de sobretaxas ou de cotas de importação. Desenvolvimento justo e igualitário, maior justiça social, melhor distribuição de renda, redução da pobreza, incremento do comércio bilateral, com acesso recíproco ao mercado. Ou seja, o melhor dos mundos. A democracia chegando ao sistema comercial. Regras justas, oportunidades iguais para todos. Em teoria, tudo perfeito, globalização é liberalismo para todos. A retirada de todas as travas ao comércio entre os países, tornando-o transparente e justo, regido pela capacidade competitiva dos países. 

Porém, o que se observa na prática é que países pobres ou em desenvolvimento se especializam, tornam sua indústria competitiva, criam condições de sobreviver nesse mundo globalizado, mas quando chega a sua vez de ganhar mercados, principalmente os mercados dos países desenvolvidos, sofrem medidas protecionistas pôr parte das nações desenvolvidas e acabam não colhendo os mesmos frutos da globalização que são colhidos pelos países desenvolvidos. 

O que se vê no mundo globalizado é um conflito entre as idéias neoliberais e as políticas protecionistas. Ou seja, um aproveitamento, uma exploração dos mercados dos países emergentes, crédulos na liberalização do mercado, que continuam enfrentando restrições diversas para colocar seus produtos nos mercados mais ricos. 

A fórmula mágica aplicada pelos países desenvolvidos sobre os mais pobres é a seguinte: reduza as suas tarifas aduaneiras (as minhas não); elimine suas travas burocráticas (eu as mantenho); nada de sobretaxas sobre as minhas exportações (eu as aplico nas suas); cotas de exportação, uma heresia (não na minha religião); medidas sanitárias apenas para proteger o consumidor (o meu consumidor será mais protegido); subsídios à produção a à comercialização nem morto (eu que sou vivo, manterei os meus). 

Nos últimos 20 anos, liberalização do comércio foi integralmente obedecida pelos países mais fracos, pelos países pobres. A contrapartida dos países ricos, que continuam a adotar medidas protecionistas, impondo barreiras comerciais aos produtos dos países mais pobres ou em desenvolvimento e continuam a subsidiar a sua produção fazendo com que seus produtos ganhem em qualidade e competitividade. Todas essas teorias de liberalismo comercial e outras estão sendo colocadas a prova após o atentado de 11 de setembro nos E.U.A . Os americanos que são os maiores defensores do livre comércio, estão subsidiando suas indústrias e empresas, mostrando ao mundo que muitas de suas teorias só serviam como forma de manipular os países mais fracos.

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Leandro M. Caldas, 22 anos
Administrador de Empresas
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