Afinal para que servem os economistas?
(Pedro Paulo Silveira Felicíssimo, 2003-07-06)
Esta interrogativa tem sido ouvida nos últimos tempos através dos meios de comunicação e nos fóruns político-econômicos dos países em desenvolvimento. Apesar de ser polêmica e suspeita a opinião de um economista sobre a importância e o papel a ser desempenhado por este ramo da ciência e de seus estudiosos no dia a dia em meio às decisões governamentais, tentarei neste breve artigo, demonstrar a relação existente entre o desenvolvimento evolutivo e histórico de alguns tópicos controvertidos das teorias econômicas existentes e as realidades geopolíticas e sociais do mundo contemporâneo que as circundam e, abordar as diversas dificuldades de se elaborarem políticas econômicas à médios e longos prazos em cenários de globalização financeira e integrações comerciais regionais protecionistas, procurando à partir de certas assertivas, a busca de respostas para determinadas questões polêmicas.
A primeira assertiva abordada é de que a economia é uma ciência inexata. Nesta assertiva repousa o cerne de toda a questão colocada ao início deste artigo. A Ciência Econômica nasce com este estigma. Concluímos por ela que os economistas têm todo o seu trabalho posterior comprometido pela inexatidão atribuída à sua ciência.
Resposta – A definição mais correta seria de que a economia é uma ciência exata porém aplicada a cenários geopolíticos e sociais de incerteza e inovação que a circundam.
A segunda assertiva é de que existiria determinados graus de incertezas e de expectativas nos agentes econômicos que inviabilizariam os prognósticos para os efeitos das políticas econômicas aplicadas, portanto, as variáveis incertezas e expectativas deveriam ser acrescidas aos modelos.
Por esta assertiva admite-se o primeiro problema da inexatidão da economia e, passa-se então ao trabalho com um mark-up de êrro já considerável nos cálculos e prognósticos econômicos, visto estas mesmas variáveis, incertezas e expectativas dos agentes econômicos não serem inteiramente mensuráveis, podendo ser de imensa ou infinita magnitude, grandes ou infinitamente pequenas, dependendo dos cenário geopolíticos e sociais em que ocorram e, igualmente a teoria econômica não possuir ferramental de controle necessário sobre suas maiores ou menores expansões nos movimentos cíclicos da Economia.
Respostas– Os agentes possuem incertezas e expectativas, porém estas são variáveis exógenas aos modelos econômicos, não sendo portanto necessário agregá-las aos cálculos matemáticos dos modelos. Os modelos se adaptam e corrigem-se à estas variáveis, de forma espontânea e natural, obedecendo aos gráficos de expansão e contração da economia.
A terceira assertiva é a inclusão nos modelos do cálculo diferencial, da teoria das probabilidades e dos métodos estatísticos em uma tentativa mais concreta de trazer à realidade do meio social, político e geoeconômico, uma teoria econômica que se tornava a cada dia mais abstrata em suas análises.
Resposta - Probabilidades nada mais são do que um jogo global em que incertezas e expectativas são as peças do jogo ( ver teoria dos jogos). A aplicação de métodos estatísticos às variáveis econômicas são uma tentativa de equacionar matematicamente e tornar acessíveis as regras necessárias do jogo aos diversos agentes econômicos e de tornar convergentes as suas diversas funções matemáticas. A Teoria dos Jogos é associada à disciplina estratégica militar, à geopolítica e à matemática, ciências autônomas da ciência econõmica que acabam por descaracterizar a economia ainda mais como ciência pura e independente, contribuindo para separar o seu estudo em três outras ciências distintas: a geografia, a política e a matemática. A comprovação deste fenômeno é o uso atual de engenheiros e matemáticos em funções que deveriam vir a ser desempenhados por economistas.
A quarta assertiva é a criação e simulação em cenários econômicos contemporâneos. Aparece como novo paradigma de uma nova economia. Suas principais ferramentas são a tecnologia de informação e os processo de globalização e de integrações econômicas. A criação e a simulação em cenários econômicos são situações gerais projetadas , como por exemplo., a simulação da elevação ou da queda da taxa de juros e seus efeitos sobre a economia como um todo, com o objetivo de se elaborarem políticas econômicas mais seguras.
Resposta – Acredito que a utilização dos cenários econômicos como ferramental é de grande utilidade quando aplicado a nível microeconômico. Visto a nível macroeconômico, a simulação das diversas ações do mercado financeiro globalizado e da multiplicidade dos agentes econômicos, torna complexo e também exógeno, a aplicação do método aos modelos, do ponto de vista da aplicação de políticas econômicas. O próprio processo de globalização financeira cria linkages de incertezas e de múltiplas probabilidades entre os mercados regionais e, os processos de integração comercial em blocos regionais cria em oposição um protecionismo, que impede o sucesso da aplicação destas mesmas políticas decorrentes das análises, principalmente quando aplicados os diversos setores do comércio internacional.
Conclusões finais:
1º - Respondendo a indagação inicial de definição de ciência econômica e de suas aplicações úteis, em resposta, poderíamos afirmar que como em toda ciência, ela possui um desenvolvimento acoplado ao desenvolvimento do conhecimento técnico disponível (know how tecnológico) e ao aprimoramento técnico do capital humano disponível, na medida que os indivíduos passam a reconhecerem e maximizarem melhor as suas funções como agentes econômicos.
2º - A Economia engloba em sua análise diversas outras ciências, tornando-se então uma ciência multidisciplinar: História, Geografia, Matemática, Sociologia, apenas para citar algumas, são algumas ciências em que o desenvolvimento da ciência econômica, tem que passar necessariamente pelas análises descritas acima, tão bem desenvolvidas por mestres que vão desde Smith e Ricardo, passando por Keynes, Marx e tantos outros contemporâneos não menos famosos, muitas vezes mal interpretados em suas conclusões.
3º - Por suas características peculiares, a Economia não pode ser descrita como ciência inexata e nem os economistas julgados em suas análises por fatores exógenos, além de seus controles e interpretações. Ela é na verdade uma superciência. Deste próprio superconceito, deriva todas as dificuldades de situarmos com exatidão o seu papel no desenvolvimento de uma sociedade humana tão diversificada e tecnologicamente em avanço acelerado.