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O fim do exuberante ciclo de crescimento econômico norte-americano
(Fernando Gomiero, 2001-10-22)

Muito antes dos ataques terroristas desfechados contra o World Trade Center e o Pentágono a economia norte-americana já apresentava uma forte desaceleração, culpa do aperto na política monetária imposto pelo FED no ano passado, que objetivava segurar a inflação. Com os atentados de 11 de setembro o país sofre um dos piores golpes de suas história, e nem mesmo as seguidas reduções de suas taxas de juros conseguem afastar o perigo de um colapso sem precedentes em sua economia.

As autoridades monetárias norte-americanas tentam desesperadamente evitar o caos que se prenuncia para o maior império econômico mundial. Tanto que já baixaram suas taxas de juros por nove vezes seguidas, trazendo-as do patamar de 6,5% para os atuais 2,0% ao ano, a menor taxa das últimas quatro décadas. Sem grandes resultados, no entanto, pois o mercado não respondeu com o esperado aquecimento da atividade econômica da terra do tio Sam. Exemplificando: no segundo trimestre do ano a economia norte-americana apresentou um irrisório crescimento da ordem de 0,3% do PIB, despencando no terceiro trimestre com um recuo de 0,4% do PIB, a maior queda anualizada, desde 1991, interrompendo um saudável e vigoroso crescimento econômico que se estendeu por dez anos ininterruptos e, o que é pior, disparando o sinal de alerta para uma possível recessão no país. 

O governo norte-americano responde com o anúncio de uma injeção de US$ 100 bilhões no mercado, pretendendo, com isso, revitalizar a sofrida atividade econômica do país. Só que esta estratégia tem um efeito colateral muito grave: US$100 bilhões fisgados com redução de impostos e aumento dos gastos, é uma estratégia que pode levar a um descontrole das contas públicas, principalmente se ocorrerem novos pacotes destinados a promover um crescimento econômico enganoso e inoportuno, que nada tem a ver com a realidade atual. 

Pesquisas indicam que os investimentos empresariais dos EUA no terceiro trimestre deste ano caíram 11,9% se comparados com os do mesmo período do ano passado. As relações comerciais de importação e exportação com o resto do mundo recuaram 15%, a maior queda em quase 20 anos. A atividade industrial do país, importante indicador econômico para o mercado, caiu pelo 15º mês consecutivo, desta vez de 47 pontos do mês de setembro para 39,8 pontos em outubro, significando corte na produção e um inevitável aumento do desemprego. Configura-se também como o pior resultado dos últimos tempos, preocupando governo e investidores, pois um índice inferior a 50 pontos já é um indicativo de recessão. E, a julgar pelos seus padrões de consumo e de vendas para o mercado externo, este é um cenário bastante desolador para os norte-americanos.

E tem mais. Há pelo menos 21 anos que as taxas de desemprego não aumentavam tanto em apenas um mês: 0,5 ponto percentual de setembro (4,9%) para outubro (5,4%), isto é, alguma coisa parecida com 1,2 milhões de vagas indisponibilizadas no mercado de trabalho, desde o início do segundo semestre do ano. Com a conseqüente queda da renda, o próprio consumo interno que, por representar cerca de 2/3 do PIB norte-americano, vinha sendo considerado a tábua salva-vidas para a economia norte-americana, teve um desempenho sofrível em setembro, caindo abruptamente em 1,8%, coisa que não acontecia há pelo menos 14 anos. 

Embora os efeitos nefastos dos ataques terroristas devam continuar incomodando e impondo mais restrições e limitações ao povo norte-americano, pelo menos até o primeiro semestre de 2002, a expectativa é que a partir daí, ou no mais tardar no início de 2003, a economia tenha superado todos os obstáculos e decole novamente em direção a índices de crescimento tão vistosos como os da última década. 

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Fernando Gomiero
, 22, aluno do 4º ano do curso de Administração – UNIP
E-mail: fernandogomiero@uol.com.br
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