O contraste! Abertura
comercial aqui, protecionismo lá (Fernando Gomiero, 2002-07-05)
Com a introdução do Plano Real na economia brasileira, a sobrevalorização da nova moeda frente ao dólar, que objetivava acabar com a hiperinflação, aliada à redução dos impostos sobre as importações, que visava estimular a entrada de produtos importados para concorrer com os nacionais, acabaram por dinamizar nossa economia e o próprio desempenho das empresas nacionais.
Foi o fim da era da indexação e das remarcações diárias dos preços. Desde então o Brasil vem promovendo uma abertura gradual de sua economia aos países estrangeiros. Providência que, no entanto, não satisfaz a economia norte-americana, tampouco agrada seu ministro do comércio exterior Robert Zoellick, que faz pesadas críticas e exige um comportamento mais liberal do Brasil em relação ao comércio com outros países. Reclamam das tarifas médias de 13% praticadas aqui, com impostos de importação, enquanto que eles, os norte-americanos, estariam trabalhando com tarifas médias de 3% em seu território.
Reclamam porque só enxergam seus próprios interesses. Uma atitude no mínimo paradoxal do senhor ministro norte-americano, se lembrarmos que lá os produtos agrícolas locais continuam sendo pesadamente subsidiados pelo governo. Recentemente os norte-americanos anunciaram uma injeção adicional de US$ 100 bilhões ao setor agrícola, subsídios estes que serão acrescentados aos já polpudos US$ 115 bilhões do orçamento para os próximos 6 anos. O que vai dificultar ainda mais a entrada das commodities brasileiras, que já sofrem pesadas restrições com o exagerado protecionismo norte-americano, por conta dos subsídios e da exigência de padrões mínimos trabalhistas e ambientais impostas para a compra dos nossos produtos. E justamente contra os setores onde o Brasil é bastante competitivo, como no caso do aço, do café e do suco de laranja.
Além da sobretaxa nos impostos sobre a importação do aço, que ficarão oscilando entre 8% e 30%, dependendo dos componentes embarcados, os novos e pesados subsídios a serem implementados pelos norte-americanos, resultarão em enormes prejuízos para os produtores brasileiros da soja e para os do milho e algodão, nada menos que US$ 1,6 bilhão para os primeiros e US$ 1 bilhão para os segundos.
E, como se isso fosse pouco, os americanos ainda aplicam medidas anti-dumping, sob a alegação de que o Brasil estaria praticando preços abaixo do custo para eliminar a concorrência. Criam dificuldades com barreiras técnicas e inspeções fitossanitárias nos portos, provocando morosidade para a liberação dos produtos brasileiros, burocracia que acaba por levar muitos empresários a desistirem da idéia de embarcar seus produtos para terra do tio Sam.
Tudo exatamente como querem os EUA com sua política econômica exageradamente protecionista, é muito bom para eles. E tudo a ver com a resistência do Brasil em participar de uma ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) cuja configuração em nada lembra um acordo multilateral que resulte em benefícios para todos, mas sim um esquema bem armado que garante a parte do leão para os norte-americanos. Como era de se esperar, eles sequer aceitam discutir as exigências brasileiras, ora bolas!
Quer dizer, para entrar e ficar a ver navios, muito melhor será negociar uma composição com a União Européia (U.E.), cuja economia absorve nada menos que 22% das exportações brasileiras. Até por que, os europeus demonstram grande interesse pelo mercado brasileiro.
________________ Fernando Gomiero, 22,
Administrador de Empresas
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