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O BNDES aloca seus recursos corretamente?
(Fernando Gomiero, 2001-09-10)

O BNDES vem aumentando gradativamente seus empréstimos para micro e pequenas empresas com ênfase para as exportações. A divisão do bolo orçamentário é distribuído de forma igualitária entre as empresas? Há ainda uma concentração dos recursos para as grandes empresas ?

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vem discutindo através de um planejamento estratégico qual a melhor alternativa na disponibilização dos recursos entre as empresas. O Banco vem aumentando paulatinamente o orçamento para as pequenas empresas com foco nas exportações, porém a concentração de recursos nas grandes empresas nacionais e nos conglomerados internacionais é muito grande, representando boa parte do bolo orçamentário do banco. Segundo os analistas, o BNDES concede financiamentos a muitas empresas estrangeiras, principalmente quando o objetivo é ampliar sua capacidade instalada ou participar de algum leilão de privatização.

Os conflitos entre o governo e os opositores desta política pública praticada pelo BNDES se dão em torno da concessão de empréstimos feito às organizações estrangeiras, que com o financiamento obtido participam da compra do patrimônio público brasileiro através da privatização, implicando na diminuição de recursos para investir na área social, nas micro e pequenas empresas e boa parte no abatimento de dívida pública.

Quando as empresas públicas são privatizadas, as receitas são logo alocadas em investimentos de interesse nacional, mas na maioria dos casos o país concede empréstimos via BNDES para estas companhias interessadas em explorar o mercado brasileiro, levando-nos a entender que o governo entrega de graça o patrimônio público aos grandes grupos internacionais e recebe a quantia devida dentro de muitos anos.

O Estado necessita de recursos a curto prazo, como vem acontecendo através das parcelas mensais de financiamentos concedidos no decorrer dos anos, e além disso estas empresas estrangeiras têm várias alternativas de captação no exterior, não necessitando de empréstimos da instituição, escassos e limitados para as organizações brasileiras, cuja demanda supera a oferta. O crédito é de vital importância para que a economia tenha um alto crescimento e um desenvolvimento sustentável ao longo do tempo. Comparativamente, o crédito brasileiro representa apenas 28% do PIB, já nos Estados Unidos e nos demais países europeus esta taxa fica entre 80% e 120%, uma discrepância significativa que limita o desenvolvimento das empresas nacionais.

Com um orçamento anual de R$ 24 bilhões, o BNDES destina para as exportações uma cifra de R$ 3 bilhões, uma quantia que apesar de pequena é fundamental para o desenvolvimento das pequenas empresas. Com o passar do tempo, estes recursos devem ser aumentados a partir do momento em que a demanda externa se elevar, melhorando o desempenho do país na balança comercial e na recuperação da credibilidade dos investidores externos.

A proporção de empregos criados nos EUA através das pequenas empresas é de 60% da PEA (População Economicamente Ativa) e no Brasil este percentual não deve ser muito diferente, daí a necessidade de que haja um engajamento do governo na criação de empregos através do crédito barato e acessível, principalmente nas micro e pequenas empresas que tanto necessitam de recursos, para manter e desenvolver o seu negócio, com disponibilidade de caixa e capital de giro, o que resulta na contratação de pessoas à medida que os negócios forem crescendo, diminuindo assim a taxa de desemprego, com um impacto automático na redução da pobreza e da indigência.

O grande problema verificado nos recursos disponibilizados pelo BNDES é a concentração dos investimentos em poucas empresas, principalmente nas companhias com grande capacidade produtiva, negligenciando a distribuição equânime do orçamento entre as organizações. Fica a expectativa de que haja uma distribuição igualitária dos investimentos e um planejamento estratégico idealizado para atender as reais necessidades da economia brasileira.
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Fernando Gomiero
, 22, aluno do 4º ano do curso de Administração – UNIP
E-mail: fernandogomiero@uol.com.br

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