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Mercado do urso "versus" Mercado do touro
Fernando Gomiero
fernandogomiero@uol.com.br

A economia norte-americana foi um verdadeiro Eldorado para os investidores ávidos por altos ganhos, nos últimos 10 anos, quando apresentou um crescimento médio da ordem de 4,5% do PIB, ininterruptamente. No embalo desse crescimento invejável valorizaram-se em muito as ações da velha e da nova economia, retratando o chamado mercado do “touro”, assim denominado numa analogia às ações que, saindo de baixo, tiveram  espantosas e seguidas altas em suas cotações, que chegaram a ultrapassar o índice de 20% de valorização a cada ano do decênio. 

Foram anos de fartura e muita riqueza, durante os quais muitas fortunas se formaram às custas do mercado de capitais em todo o mundo, tanto que foi inevitável imaginar que o rico filão jamais se esgotaria.

No entanto, com a atual desaceleração da economia norte-americana, que vem ocorrendo devido a um aperto na sua política monetária, numa tentativa do FED em evitar a volta da inflação, mas que teve como conseqüência imediata, a restrição do crédito e uma redução nos investimento, e estes dois fatores por sua vez, provocaram a queda dos lucros das empresas nacionais, culminando com as seguidas e consideráveis baixas de suas ações no mercado. Assim, tudo leva a crer que chegou a hora de encarar a realidade e se adaptar aos novos tempos. 

As Bolsas derrapam e escorregam ladeira abaixo, chegando a ultrapassar o índice negativo de 20%, tanto o índice Dow Jones quanto o Nasdaq, e passam a viver a temporada do mercado “urso”, o que ataca de cima para baixo, numa analogia às seguidas quedas das Bolsas de Valores em todo o mundo. 

Numa tentativa de evitar a recessão e reaquecer a economia, o BC norte-americano, após ter elevado suas taxas de juros de 4,75% para 6,5%, voltou a reduzi-las em 0,5 percentual por duas vezes seguidas, fixando-as em 4,5% ao ano, ao mesmo tempo em que anunciava uma diminuição da ordem de US$ 1,6 trilhão nos  impostos. Com estas medidas a instituição pretende estimular a volta de um crescimento econômico sustentável, da ordem de 4% do PIB. Para este ano, no entanto, continua a expectativa de um crescimento inferior a 2% do PIB. 

O efeito riqueza das pessoas que aplicavam seus recursos e viram subitamente suas fontes de altos lucros secarem, imediatamente provocou uma grande queda no consumo. Some-se a isto, o fato de que a poupança interna do país é naturalmente muito baixa em função dos atrativos que a renda variável oferecia para os investidores que agora usam seus recursos para o pagamento das dívidas, e teremos, como resultado, a queda na demanda de produtos e serviços que representam o calcanhar de Aquiles para a maior economia do mundo. 

Os seguidos resultados negativos das Bolsas já trouxeram as cotações das ações para valores mais compatíveis com a realidade e, felizmente a exuberância irracional da supervalorização dos papéis e o estouro da bolha, temidos por Allan Greenspan, não aconteceu. O temor do presidente do FED era plenamente justificado: No auge do crescimento econômico norte-americano, a relação entre o preço das ações e o lucro das empresas atingiram a incrível proporção de 30x1, ou seja, as ações estavam sendo cotadas a valores equivalentes a 30 vezes os lucros das empresas, o que levava todo o mercado a temer pelo pior, assim como aconteceu com o Japão quando ocorreu o estouro da bolha imobiliária e o país não conseguiu se recuperar até os dias de hoje, quando vive a pior e mais prolongada crise de suas história. 

Os investidores, decepcionados com o FED, que em suas última reunião baixou os juros em 0,5 ponto percentual quando a expectativa geral era de um corte de pelo menos 0,75 ponto percentual, o que provocou novas quedas nas Bolsas, desta vez tiveram suas expectativas correspondidas pela instituição que, em seu último encontro baixou as taxas de juros em mais 0,5 ponto percentual e, com isso, fornecendo combustível para que o mercado “touro” renasça com as valorizações que certamente ocorrerão. A partir daí, toda a torcida é para que o FED continue com a flexibilização da política monetária e que a economia norte-americana volte a crescer vigorosamente, porém, com os pés no chão e sem a euforia exagerada que levou pânico aos mercados mundiais.

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Fernando Gomiero, 21, aluno do 4º ano do curso de Administração – UNIP
E-mail: fernandogomiero@uol.com.br

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