:: Artigo

Reforma Tributária (2)
(Fernando Gomiero, 2001-09-03)

A proposta de reforma tributária vem patinando no Congresso Nacional desde o início do Plano Real e essa morosidade deve-se às divergências de opiniões existentes entre os deputados federais e senadores, não restando outra alternativa senão aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

A proposta de reforma tributária, cuja aprovação é ansiosamente esperada pelo governo federal, vem sendo apreciada pelo legislativo desde o início do Plano Real e seu teor ainda não é consenso no Congresso Nacional, onde se discute qual seria a reforma ideal para o país.

O chamado imposto em cascata, um dos grandes destaques da reforma, é aquele que incide em cada etapa da cadeia produtiva, onerando assim o produto final ao consumidor, como é o caso da CPMF, COFINS e PIS/PASEP. É um dos pontos que estão gerando mais polêmica na discussão da reforma tributária, no Congresso Nacional, pois tanto o congresso como o empresariado, entendem que tais impostos devem ser extintos, porém, como os mesmos são responsáveis por quase 40% de toda a arrecadação do país, a sua extinção poderia significar um desequilíbrio fiscal e, pior do que isso, a volta da dependência dos capitais estrangeiros e o aumento das taxas de juros. O governo, através do Ministério da Fazenda e da Receita Federal, luta pela manutenção dos mesmos.

A extinção desses impostos cumulativos, que oneram a produção elevando os preços para o consumidor final, acabando por diminuir a competitividade dos produtos nacionais frente aos importados, é absolutamente necessária e urgente. Se os impostos fossem reduzidos, teríamos um aumento na base de contribuição e uma redução da sonegação e evasão fiscal, além de estimular o retorno da economia informal (empresas e pessoas que não recolhem impostos) à formalidade, para ficarem em dia com o fisco, o que redundaria em aumento da geração de empregos, da renda e do consumo e, enfim, em maior arrecadação para os cofres públicos.

A elisão fiscal, que é o grande desafio dos nossos governantes, e que tem grande responsabilidade na ineficiência do sistema de arrecadação, ocorre, quase sempre, porque nossa legislação oferece brechas aos empresários que, com a ajuda da indústria das liminares, obtém isenção ou, no mínimo, conseguem parcelar a longo prazo, o recolhimento do imposto devido. Essas manobras trazem enormes prejuízos para a Receita Federal, pois, de acordo com o fisco, para cada R$ 1 arrecadado outro R$ 1 é sonegado.

Um mecanismo interessante que "beneficia" alguns estados e municípios, mas que, de um modo geral, acaba atrapalhando a vida de outros, como São Paulo por exemplo, que subsidia nada além do que determina o bom senso, é a guerra fiscal, ou seja, uma competição entre os governantes, para incentivar empresas a se instalarem em seus territórios. Alguns estados e municípios tornam-se mais atraentes para as empresas, em função do excesso de incentivos fiscais que oferecem, além de outras benesses de praxe e, com isso, não só transformam a disputa num verdadeiro festival de "quem dá mais" entre os governos interessados, como também acabam prejudicando enormemente a arrecadação de impostos pelos cofres públicos.

Tanto o governo como o Congresso Nacional, estão empenhados numa proposta que visa amenizar a intensidade dessa guerra fiscal, através da mudança na tributação do ICMS que passaria a ser recolhido no destino, o que hoje é feito na origem do produto, ou seja, no estado e município onde se origina a produção. Entretanto, é necessário frisar, tal modificação acarretaria prejuízos enormes para os estados essencialmente produtores, como São Paulo que deixaria de arrecadar algo em torno de R$ 5 bilhões, anualmente, provenientes do imposto tributado na origem.

O governo propõe ainda, a substituição do ICMS pelo IVA(Imposto sobre Valor Agregado), que seria criado para valer em todos os estados, descomplicando, dessa forma para as empresas, que precisam interpretar a legislação específica de cada estado, para entender a tributação do ICMS. Além do IVA no lugar do ICMS, o governo quer a substituição do ISS (Imposto Sobre Serviços) que, atualmente, vigora em todos os municípios do país, pelo IVV(Imposto sobre Vendas a Varejo).

A despeito do interesse do governo em começar logo a reforma tributária e, corroborando as opiniões divergentes dos nossos congressistas, há dois fatores considerados de suma importância nas negociações, para se chegar a um consenso e, entretanto, ninguém está disposto a ceder. Um desses fatores de discórdia, é a questão dos impostos em cascata (cumulativos), pois enquanto os empresários querem sua extinção, o governo não abre mão e exige a manutenção dos mesmos; o outro ponto, a criação do IVA no lugar do ICMS, imposto que hoje é de competência da esfera estadual e passaria para a competência da esfera federal.

Todos aguardam ansiosamente, que haja entendimento em torno das divergências e que os desentendimentos e conflitos não se estendam por muito tempo, para que, enfim, o custo Brasil decline, a credibilidade se restabeleça, proporcionando melhores condições para a injeção de recursos em nossa economia.

________________
Fernando Gomiero
, 22, aluno do 4º ano do curso de Administração – UNIP
E-mail: fernandogomiero@uol.com.br

Outros artigos do autor

Os textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores ou fontes e podem não expressar a opinião da Economiabr.net