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Competitividade: o México perde espaço para a China nos EUA 
(Gustavo Grisa, 2003-11-04)

A avalanche de produtos chineses à venda no próprio México, e as vantagens competitivas do produto chinês no destino final ao mercado norte-americano, mesmo com as vantagens à indústria mexicana garantidas pelo Nafta, está corroendo a propagada vantagem natural do México como fornecedor de produtos industriais aos Estados Unidos. Enquanto as exportações mexicanas aos EUA cresceram 1,2% em 2002, as chinesas aumentaram em 19%. 

O México é atualmente o segundo maior exportador de bens e serviços aos EUA, após o Canadá (com produção de menor volume, porém de maior valor agregado). A explicação para a perda de espaço para a China não é nova: a conjugação de mão-de-obra barata e incentivos sem paralelo no mundo. 

Na indústria de eletroeletrônicos, a larga rede de fornecedores estabelecida com empresas de Taiwan e Hong Kong torna a competição bastante difícil. Os setores mais vulneráveis são mobiliário, brinquedos, têxtil, vestuário, calçados e alguns tipos de eletrônicos. Fabricantes de PDAs (palmtops) e aparelhos celulares de grande porte, como a Flextronics, Jabil Circuit, Sanmina-SCI e Solectron têm suas plantas na região de Guadalajara operando com 60% da capacidade. Um caso emblemático é da Microsoft, que centralizou a produção do console para vídeo-games Xbox no México por questões logísticas em meados de 2001. Um ano depois, a produção foi transferida para duas fábricas chinesas. A principal razão é a proximidade dos fabricantes de componentes. 

Apesar de todos os protestos contra práticas desleais contra a China, alguns procedentes, o México não fez o seu tema de casa e não procurou diminuir suas deficiências. O país é 47º em desenvolvimento tecnológico pelo ranking de competitividade do World Economic Fórum, uma performance inferior à de Botswana. A alta carga tributária também é um problema, os impostos corporativos têm uma média de 34%, o dobro da China. O risco de descontinuidade no fornecimento de energia também persiste. 

Mas por enquanto está garantido que empresas que tenham vantagem logística permaneçam no longo prazo no México. É o caso dos fabricantes norte-americanos de automóveis e eletrodomésticos da chamada “linha branca” – geladeiras, lavadoras de roupa,etc. O grau de atratividade para o setor de alta tecnologia ainda é relativamente baixo, refém da baixa produtividade e capital intelectual (perdendo as exportações de alto valor ara o Canadá), e da concorrência dos preços mais baixos dos chineses. 

Por mais bem sucedidos que sejam, programas ou acordos comerciais não substituem o ciclo natural de desenvolvimento e a atenção a itens básicos de competitividade sistêmica como infra-estrutura, sistema político-judiciário, qualidade/custo dos recursos humanos, desenvolvimento e aplicação de tecnologia e dinâmica do mercado interno. 

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Gustavo Grisa, economista, 29 anos.
E-mail grisa@gustavogrisa.com.br  
Website: www.gustavogrisa.com.br 
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