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Crescer e concentrar
(Alan Henriques, 2002-05-12)

Durante os anos 80 o grupo dos sete, seleto grupo dos países mais ricos do mundo, adotou uma postura monetária mais restritiva , para conter a inflação herdada da década de 70. Que foi resultado de dois choques exógenos do petróleo, essa política surtiu efeito nos países citados, contudo seus efeitos sobre o resto do mundo foram sombrios.

O aumento dos juros norte-americanos em fins da década de 70 e início da de 80, levou países como México, Brasil e Argentina a amargarem recessões brutais e até como no caso do Brasil e México a pedirem moratória de suas dívidas externas.

Essa política monetária carreou para o mercado norte-americano os dólares de que os Estados Unidos precisavam para patrocinar a retomada econômica que viria a acontecer na década de 80, ou seja, mesmo mantendo a oferta monetária restrita sob controle através do comando de Paul Vocker, a retomada da década de 80 foi conseguida graças ao dólares vindos de fora.

Como resultado dessa política, os países do G-7, acumulavam em 1998, algo em torno de 52% da riqueza mundial, conseguido graças a um crescimento considerável em suas economias nacionais, principalmente na década de 90.
Apesar de todo esse crescimento, em alguns países do grupo, é sintomático a reversão quanto a distribuição de riquezas, como no caso Britânico, que em 1979 possuía os 10% dos mais pobres detendo 4,1% da riqueza nacional, já em 1994 essa mesma parcela detinha apenas 2,5%, ao passo que o número de famílias vivendo abaixo da linha da pobreza aumentou de 14,3% em 1983 para 17,2% em 1998, mesmo levando-se em conta que no mesmo período o desemprego na Grã- Bretanha declinou de algo em torno dos 9% para apenas 5,0% em 1999, ou seja, a concentração neste caso é inconteste.

Do lado norte-americano, a demonstração de concentração é ainda mais evidente do que no caso britânico, o PNB norte-americano em meados do ano 2000, já é maior que a soma das riquezas de todas as outras grandes economias do planeta. O país desempenha o papel de grande fomentador da economia mundial, chegando a importar algo em torno de US$ 1,25 trilhão de dólares em bens e serviços do resto do mundo, animal hem.

Contudo, os 20% de norte-americanos mais ricos detêm 46,4% de toda a riqueza produzida na meca do capitalismo, enquanto os 20% mais pobres abocanham apenas 5,2% de toda essa riqueza, na Noruega os 20% mais ricos têm 9,7%, enquanto que os 20% mais pobres detêm 35,8% da riqueza norueguesa.

Há ainda, mais evidências estatísticas sobre esse fenômeno norte-americano, que remonta aos anos 80, período em que o país vivia em plena euforia econômica sob a chamada "Reaganeconomics", política esta que sob a alegação, de estimular a economia cortou impostos, criando com isso uma dívida pública da ordem de US$ 3,97 trilhões, que só agora estão sendo resgatados.

Todo este quadro, fez com que a concentração de renda aumentasse em níveis nunca vistos na "Scarsdale", em 1959, os 4% mais ricos norte-americanos ganhavam o equivalente aos 35% mais pobres, isso em plena "era Eisenhower" que foi de paz e prosperidade para todo os Estados Unidos, já em 1989, os mesmos 4% mais ricos abocanhavam rendimentos iguais aos 51% dos mais pobres, não por coincidência o ano de 1989 marcou o fim da "era Reagan".

Tudo isso, só torna mais válido a máxima do economista polonês Kalecki que disse "Os ricos ganham o que gastam, e os pobres gastam o que ganham" como é demonstrado nas estatísticas isso é válido tanto para uma pessoa, uma família ou uma nação, no entanto, resta um consolo para os países periféricos, quanto mais capital esses sete países acumulam, mais eles concentram.

Assim como na natureza, em que "nada se cria, nada se perde, tudo se transforma." O capitalismo historicamente nunca perdeu nada, apenas transformou toda a criação de riquezas em concentração.

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Alan Henriques, economista e estudioso de assuntos militares
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