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Continuação (...) Parte II - Anterior | 1 | 2 | O fim da euforia A euforia abrandou, depois, no ano 2000 e em 2001 verificou-se inclusive um desinvestimento fortíssimo na Argentina, próximo dos mil milhões de dólares em termos líquidos. A "estrela" do Sul tornou-se, naquele ano, no principal país de desinvestimento espanhol. No ano anterior, havia sido Portugal. Sintomaticamente, os grupos espanhóis abandonavam o esforço financeiro nas duas "jóias" da sua globalização - o vizinho ibérico e a pátria do tango. Mais prosaicamente, em 2001, redireccionaram os capitais em 60% para o Luxemburgo e a Holanda, locais ideais para "holdings". Nesse movimento foram 20 mil milhões de euros. Os jornais espanhóis chamaram-lhe a "pausa" do guerreiro na internacionalização. Mas a economia tem horror às cadeiras deixadas vagas. Correm rumores de que a Telmex mexicana (ligada ao grupo argentino Techint) estará interessada nas operações da Telefónica na Argentina. Por seu lado, o Brasil que não tem sido um investidor de peso no vizinho, realizou uma operação de vulto com a compra da Pecom (do grupo argentino Pérez Companc) pela Petrobras. E a cervejeira brasileira Brahma comprou Quilmes (do grupo argentino Bemberg). Por outro lado, a Autoridade de Promoção Comercial dos EUA - a famosa TPA, mais conhecida pela alcunha de "fast track" - está à espreita do momento certo para atacar a Sul com a implementação da ALCA, a Área de Comércio Livre das Américas, colocando um ponto final nas veleidades "autonomistas" do Mercosul. As três lições Onde erraram, então, os grupos espanhóis? Ou quais são as suas limitações "estruturais"? Estas interrogações têm ocupado boa parte do tempo de investigação de Andrés López ultimamente. «O que salta à vista, desde logo, é que estes grupos concentraram os seus investimentos em países como a Argentina, que são de risco elevado por natureza. Isto torna as empresas vulneráveis, porque concentram investimentos em países onde há uma alta volatilidade económica institucional e um erro aqui afecta gravemente todo o negócio», refere o nosso interlocutor. As transnacionais menos recentes mostram uma estratégia historicamente mais diversificada. Por outro lado, as transnacionais espanholas são grupos empresariais de nível "intermédio" à escala mundial. Casos como a Repsol ou a Telefónica estão «naquele patamar que os peritos em internacionalização denominam de dilema de comprar para ganhar massa crítica ou ser apetecível para ser comprado pelos maiores», sublinha Andrés López. A estratégia de aquisições no campo internacional foi a saída para prolongar o espaço de manobra. «A Repsol se tiver de vender a YPF, provavelmente perderá viabilidade internacional», remata o estudioso das transnacionais. Finalmente, a estratégia espanhola parece ter sido "cortoplacista" (visão de curto prazo), como classificam os argentinos. Uma das regras básicas que falhou foi a da densificação de alianças com grupos locais e o desenvolvimento do próprio tecido local, bem como dos seus "clusters" de exportação. Apostar na drenagem do mercado, na desarticulação das cadeias locais sectoriais e na alimentação de uma burguesia "compradore" especializada no "cambio de manos" de activos públicos e privados é suicídio certo. «Os grupos espanhóis não potênciaram as alianças locais. Promoveram poucos esforços para favorecer o desenvolvimento da economia argentina. Substituíram fornecedores locais por estrangeiros sobretudo para poder facilitar a transferência de divisas», recorda Andrés López. A colagem a mercados cativos ligados ao Estado foi outra tentação espanhola, de grupos como a Telefónica, Repsol e Endesa. O estado de espírito da opinião pública argentina é hoje profundamente negativo em relação a alguns desses grupos espanhóis. O processo de privatização das Aerolíneas Argentinas, no tempo de Carlos Menem (quando presidente da Argentina) e de Felipe Gonzalez (então presidente do Conselho de Ministros em Espanha), é considerado inclusive "um escândalo" e a destruição da marca pela Iberia "um crime". Hoje a companhia aérea passou para as mãos do operador turístico espanhol Marsans.
Quadro de conclusões estatísticas
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