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As verdades absolutas no Mercado de Capitais Se existem as verdades absolutas é porque, em contraposição, existem as verdades relativas. Entendamos aqui como absolutas aquelas verdades que integram a natureza, a essência das empresas, direta e objetivamente, como a composição acionária e o balanço patrimonial. E como relativas aquelas verdades circunstanciais, transitórias, que não integram a natureza das empresas, mas que as atinge e afetam e só podem ser abordadas de forma indireta e subjetiva, como as crises político-econômicas e os fluxos monetário-cambiais. Em resumo, digamos que as verdades absolutas são aquelas que podem ser controladas pela gestão empresarial enquanto as verdades relativas escapam a este controle. Em vista disto, nas atividades que se tornam muito complexas e sofisticadas, que são constantemente analisadas e esmiuçadas por especialistas, a discussão acaba se concentrando no acessório, na casca e não no cerne da questão. É quando uma verdade relativa passa a valer como verdade absoluta. Vamos dissecar apenas uma destas verdades absolutas. No caso brasileiro a composição acionária das empresas e por extensão a nossa "ação preferencial" ou como costumo dizer, a "ação que não é ação" ou a "falsa ação". Ultimamente tem-se discutido muito a governança corporativa nas empresas abertas. Mesmo aqueles que sabem o que é governança corporativa estão discutindo-a de forma equivocada. Examinam o assunto como se estivessem nos USA, enquanto aqui nossa realidade é bem outra. A diferença gritante entre o sistema americano e o nosso torna boa parte desse sistema inútil para nós. É muito simples: os americanos, que por sua vez imitaram os ingleses, estes sim, os inventores do capitalismo moderno, se baseiam no seu sistema de companhias abertas, que chamam de "public companies", com o capital pulverizado, grande liquidez no mercado secundário e sem controle conhecido. A realidade brasileira é outra. É de companhias que vão ao mercado buscar recursos vendendo ações sem direito a voto, ficando o controlador com o controle absoluto das ações com voto. Não conheço uma única empresa que tenha o capital formado só de ações ordinárias, pulverizado e sem a figura do controlador. Quanto muito temos a figura do controle compartilhado, comum nas companhias privatizadas, onde alguns poucos acionistas controlam a empresa, através de um acordo de acionistas. A própria terminologia usada nos aponta esta diferença. O nosso "capital aberto" significa que a empresa lançou um punhado de ações, ou mesmo debêntures, no mercado. Já o "public companhy" dos americanos significa que a empresa não tem um dono conhecido, pertence realmente ao público em geral. Para nós empresa pública é coisa diferente. É público aquilo que pertence ao governo e por extensão a todos os cidadãos. Se fizermos uma pesquisa entre os funcionários das estatais brasileiras, para saber se eles acham que empresa pertence a todos nós, provavelmente irão responder com um retumbante não, para não dizer que a empresa pertence a eles, empregados. O problema central nos USA é fazer com que a governança proteja os milhares de acionistas, tendo como principais instrumentos o Conselho de Administração e a Assembléia Geral, que defendem realmente o que é melhor para a empresa, em vez de, como acontece no Brasil, defender cegamente o presidente e os controladores.
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