» Opinião

A simples Lei da Oferta
(Alfredo Kleper Lavor, 2002-08-19)

Desde o surgimento da moderna economia, um grande número de  economistas, do lado mais matemático da economia, têm como visão única a sustentação de modelos econômicos baseados na teoria do equilíbrio econômico pelo lado da demanda. Ou seja, para combater a inflação, toma-se por base diminuir a procura de bens. Diminuindo a procura, imagina-se abaixar os preços. E no afã deste objetivo, aumenta-se os juros e 
aumenta-se os impostos. E o sistema econômico se encolhe. 

Um professor de Economia usava um exemplo para mostrar e comparar este pensamento econômico de combater a inflação pela redução da procura imaginando uma rua que, de repente, passa a ter problemas de congestionamento de trânsito. Só há duas alternativas naturais para resolver o problema: reduzir o número de carros ou alargar a rua. O pensamento econômico de reduzir o consumo é o mesmo do técnico que opta por reduzir o número de carros, ou seja, é o lado mais fácil, mais matemático, e muito menos social. 

Até 1981, esta teoria de ver a economia só pelo lado da procura era o pensamento dominante também nos Estados Unidos, nas escolas de Chicago e Harvard. Até que, com a eleição de Ronald Reagan e a nova visão de Milton Friedman, inverteu-se o prisma econômico. 

Em vez de ver a economia pelo lado da procura, passa-se a vê-la pelo lado da oferta, ou seja, havendo pressão nos preços, em vez de conter o consumo, aumenta-se a oferta. Aumentando a oferta, aumenta a oferta de empregos também, assim como a renda e o bem-estar social. 

Em outras palavras, o que o governo Reagan fez para a economia norte-americana foi mudar o enfoque meramente monetarista para um enfoque produtivo. Como no exemplo do sábio professor de Economia, em vez de reduzir o número de carros, alargaram as ruas. 

Pudera que no Brasil esta mudança de visão econômica pudesse ser aplicada com os esforços voltados para o crescimento, para a produção e para o emprego, e que os tecnocratas de gabinete, em vez de buscarem fórmulas matemáticas, buscassem fórmulas sociais. Fórmulas de produção, e não fórmulas de recessão.


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Alfredo Kleper Lavor é economista, professor e consultor de Comércio Internacional/
E-mail: lavor@newsite.com.br
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