Estratégias agressivas de crescimento são fundamentais para sobreviver à recessão
(Pedro Manuel Leite, 2002-09-30)
Embora o titulo deste artigo possa, num impacto inicial, parecer paradoxal, uma análise mais detalhada revela-nos exatamente o oposto. Senão, vejamos.
As Empresas devem, sobretudo em tempos de abrandamento econômico, cingir-se ao seu core business e não ter “veleidades” em diversificar as suas atividades para áreas que, de todo, não dominam, tentando, de uma forma irrealista, amenizar quebras de receitas.
As Organizações, ao enfrentarem um clima recessivo, devem desenvolver e implementar estratégias agressivas de crescimento nas suas áreas core, por forma a construir alicerces sólidos, que lhes permitirão estar na dianteira dos seus concorrentes nos próximos 2 a 3 anos.
Assim, uma Estratégia de Risco Calculado é essencial para, por um lado, sobreviver aos tempos difíceis que atravessamos e, por outro, encarar com otimismo e, talvez, até desfrutar as recompensas da “pós-recessão”.
A Estratégia de Risco Calculado consiste, na prática, em investir no próprio core business. Este tipo de aproximação é particularmente válido quando o Mercado está “em baixa” e as Empresas concorrentes, receosas de investir em momentos de incerteza, se protegem demasiado de modo a "escapar à tempestade".
Por outro lado, devido, em parte, às políticas monetárias dos EUA, Europa e Japão, os Executivos das Empresas analisam a viabilidade do investimento além-fronteiras. Todavia, este tipo de investimento carece de um cuidadoso planejamento, pois, caso este não exista, o risco da Empresa Adquirida não trazer o Valor Acrescentado inicialmente esperado pela Empresa Adquirente aumenta exponencialmente, podendo causar graves problemas Financeiros e de Gestão.
As Empresas Locais e/ou Regionais são de menor dimensão e com uma capitalização inferior às suas congêneres Globais. Deste fator, decorrem essencialmente os riscos associados a este tipo de investimento, em clima recessivo. No entanto, as mais-valias obtidas serão, sem sombra de dúvida, bastante atrativas após o período de abrandamento econômico, nomeadamente uma taxa de crescimento mais acelerada em relação às Empresas concorrentes que se limitaram a “diminuir custos”.
Não é habitual as Organizações terem uma estratégia de crescimento devidamente planeada e sustentada, pelo que o risco deste planejamento ocorrer, forçosamente, num período de recessão, é um dado preocupante e, acima de tudo, real. Através de Análises e Entrevistas com Executivos Seniores, de 377 Empresas listadas na Fortune 500, ficou claro que, durante o período de “arrefecimento econômico”, os Gestores atravessam 3 fases distintas: negação, reação exagerada com “cortes” excessivos e nocivos ao bom funcionamento da Empresa e, por último - quando começam a haver sinais de recuperação - assiste-se ao que poderíamos chamar esbanjamento.
Empresas que não tenham planejado, em devido tempo, o seu posicionamento estratégico irão, obrigatoriamente, fazê-lo em tempo de crise ou, até mesmo, recessão profunda. Este fator conduz, invariavelmente, a mudanças significativas dentro da Organização, com as conseqüências que são, infelizmente, do nosso conhecimento: redução abrupta do investimento e descapitalização do Ativo Humano da Empresa, mediante demissões mais ou menos numerosas.
A adoção de medidas drásticas para controlar os custos revelar-se-á, a médio/longo prazo uma estratégia profundamente errada. É crucial que os Gestores atuem de uma forma consistente e estável, no que concerne à política de investimentos em recursos Humanos e Materiais, quer em momentos de “euforia”, quer em momentos de “depressão”.
Sem sombra de dúvida, as Empresas que ressurgirão mais fortes deste período conturbado serão aquelas que conseguirem fazer da incerteza uma vantagem competitiva. Consolidarão o seu posicionamento no Mercado através de investimentos na sua esfera específica de intervenção, dotando-se de mais capacidade e, porque não, de maior Qualidade. Investirão em aquisições “baratas”, dentro do seu core business, para conquistar quota de Mercado e garantir posições de liderança. Evitarão, a todo o custo, diversificar as suas atividades, pois, tal estratégia, a verificar-se, enfraqueceria de uma forma dramática o seu foco principal, ou seja, o seu negócio.
A pró-atividade e o foco no negócio principal permitirão a estas Organizações uma performance muito superior a dos seus concorrentes hesitantes e receosos.
Uma nota final: ser pró-ativo não significa, de todo, investimentos pouco considerados ou de Valor acrescentado duvidoso, em particular quando a economia começa a mostrar sinais, embora tênues, de recuperação.
____________________ Pedro Manuel Leite, Strategic Business Manager
de Portugal - Licenciado em Matemáticas Aplicadas - ramo Computação - Cursando MBA - Ampla experiência em Planejamento Estratégico, Consultoria de Negócio/Estratégica, parties, Formação e Gestão de Equipes e Aumento de Produtividade nas Organizações.
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